J. K. Rowling ︎◆ Livros

A decisão final é dos fãs ou de Rowling?

Desde que J.K. Rowling divulgou informações sobre a homossexualidade do diretor Alvo Dumbledore e as inspirações cristãs nos livros da série Harry Potter, inúmeras sugestões e críticas foram feitas à autora.
O Chicago Tribune publicou um artigo sobre o fato de muitas pessoas acharem que Rowling não deveria ter declarado a opção sexual de Dumbledore porque, segundo eles, a partir do momento em que um livro é publicado, as partes não contadas nas páginas são preenchidas mentalmente pelos fãs e pertencem a eles.

A série não precisa de mais explicações. Rowling está fazendo o papel de mãe super-protetora. Já é tempo de ela deixar pra trás. Se ela quisesse que Dumbledore fosse gay, ela deveria ter feito escrevendo. Não que ela tenha sido duramente editada: suas sete romances atingiram 4200 páginas.

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Não, Rowling perdeu a sua chance de ter uma última palavra definitiva sobre tudo envolvendo Harry Potter quando o último livro foi impresso. Suas opções agora? Encontre uma varinha mágica – ou escreva um oitavo livro.

Confira o resto do artigo em notícia completa, mas lembramos que há um pequeno spoiler em seu conteúdo – o nome da pessoa que o diretor amou.

Vocês concordam com a opinião do Stephen Benzkofer, quem escreveu o artigo?

J.K. ROWLING
A última palavra é dos fãs de Potter, não de Rowling

Chicago Tribune – Stephan Benzkofer
28 de outubro de 2007
Tradução: Virág Venekey

Ativistas dos direitos dos gays segurem seus aplausos. Conservativos sociais parem de lamentar. J.K. Rowling ter declarado que Alvo Dumbledore é gay não faz ele ser de fato.

Rowling estava respondendo perguntas no evento do dia 19 de outubro do Carnegie Hall quando foi perguntada se o diretor de Hogwarts encontra o amor em algum momento. Sua resposta gerou engasgos e aplausos da audiência: Ele é gay, e o amor de sua vida foi “Gellert Grindelwald”, o bruxo que se converteu ao mal e que Dumbledore posteriormente levou à justiça.

Não tão rápido Sra. Rowling. Essa história e estes personagens não são mais suas para decidir.

É claro que Rowling criou a maravilhosa série de sucesso, Harry Potter. É claro que ela deu a vida ao professor Dumbledore e uma multidão de outros que popularizaram seus romances de fantasia, mas quando o primeiro leitor se debruçou em cima do primeiro livro de Harry Potter, o bebê de Rowling estava fora para fazer escola, faculdade e deixou o ninho. Harry Potter ganhou vida própria. Quando um livro é impresso, o cordão umbilical está cortado.

Isto vale mais ainda para a série Harry Potter por causa do seu principal público alvo. Milhões de crianças vivem e respiram este mundo de bruxos. Eles abraçam Harry, Rony e Hermione – e Dumbledore – como amigos queridos. Eles são os donos. Estas mesmas crianças sentem como afronta pessoal quando os filmes mudam ou realizam pequenas distorções da história. E na releitura, elas descobrem novas idéias ou temas, alguns intencionados pela autora e muitos sem dúvida nenhuma derrubados pela autora como errados.

J.R.R. Tolkien negou declaradamente que o seu “Senhor dos Anéis” fosse uma homenagem à Segunda Guerra Mundial. Mesmo assim as pessoas leram como tal. Não que os leitores não se importem sobre a negação de Tolkien, é que simplesmente não importa. O trabalho fala por si só.

Isto também vale para Harry Potter. A série não precisa de mais explicações. Rowling está fazendo o papel de mãe super-protetora. Já é tempo de ela deixar pra trás. Se ela quisesse que Dumbledore fosse gay, ela deveria ter feito escrevendo. Não que ela tenha sido duramente editada: suas sete romances atingiram 4200 páginas.

Não, Rowling perdeu a sua chance de ter uma última palavra definitiva sobre tudo envolvendo Harry Potter quando o último livro foi impresso.

Suas opções agora? Encontre uma varinha mágica – ou escreva um oitavo livro.