As Relíquias da Morte

Livro 7: Entrevista com chefe da Scholastic

O chefe executivo da Scholastic, Richard Robinson, cedeu uma entrevista ao famoso jornal The New York Times, comentando sobre o livro sete, o impacto dos livros sobre a editora norte-americana e a história da empresa que trabalha.

Richard enfatiza que não haverá mais livros adicionais e este realmente será o último livro da série criada por J.K. Rowling. Ele também insinua que em breve outra série poderia vir – da mesma autora. Veja abaixo um trecho da entrevista:

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

NYT: Aonde vai o destino da Scholastic depois do último livro de Harry Potter? Podemos acreditar que é o último livro?
Richard: Nós devemos acreditar que esse é o último livro de Harry Potter. Nós olhamos para Harry Potter como a cereja no topo do bolo, mas nós somos essencialmente uma companhia de livros infantis, com nossa própria rede de distribuição e clubes de livro. Não há como questionar que Harry Potter nos deu um grande impulso. Nos trouxe reconhecimento de nome, mas Harry Potter nunca superou 8 por cento da renda anual.

A entrevista completa pode ser vista aqui.

Um passeio curto pelo tempo na Scholastic
Por Tracie Rozhon
21 de abril de 2007

Caminhar através da sede da Scholastic em Manhattan é como voltar no tempo e aos sonhos de criança, para uma fantástica “jardim infantil” com colunas e divisórias de mesa coloridas e brilhantes, e no fim uma enorme sala de jogos cheia de brinquedos como “Clifford”, o grande cão vermelho e “Goosebumps” e Capitão Cueca e, é claro, os livros de J.K. Rowling sobre Harry Potter e seus compatriotas.

A sala de jogos, atualmente a sala de reuniões da companhia, foi o lugar de uma entrevista com Richard Robinson, 69, apenas o segundo chefe executivo que a companhia teve nos 86 anos de história; o primeiro foi seu pai.

Atual presidente e chefe executivo de uma companhia de 2,2 bilhões de dólares, o Sr. Robinson começou enfatizando que a renda com os livros de Harry Potter compõe uma parte pequena do total da companhia e ele insinuou que outra série estaria vindo – da mesma autora.

A seguir são trechos da conversa, que foi do uso de nova tecnologia a ensino da leitura, da Índia a China, e voltou para você sabe quem, Harry Potter:

P: Aonde vai o destino da Scholastic depois do último livro de Harry Potter? Podemos acreditar que é o último livro?
R: Nós devemos acreditar que esse é o último livro de Harry Potter. Nós olhamos para Harry Potter como a cereja no topo do bolo, mas nós somos essencialmente uma companhia de livros infantis, com nossa própria rede de distribuição e clubes de livro. Não há como questionar que Harry Potter nos deu um grande impulso. Nos trouxe reconhecimento de nome, mas Harry Potter nunca superou 8 por cento da renda anual.

P: Como vocês conseguiram Harry Potter – foi publicado primeiro na Inglaterra, não é?
R: Ela escreveu o seu primeiro livro e foi publicado na Inglaterra. Ali ela conseguiu a versão inglesa folheando as páginas amarelas e procurando por um agente. Ela diz que simplesmente gostou do nome Christopher Little – ela é uma personalidade bem excêntrica – e ele comandou as audições por direitos por toda a Grã Bretanha. Nós achamos o livro – Arthur Levine, um editor aqui, achou – e nós oferecemos 105.000 dólares, que é uma oferta e tanto para uma autora desconhecida.

P: Desconhecida?
R: Sim, no começo, as pessoas não sabiam o que era. A primeira história foi simples. Até o segundo livro não tinha um terreno.

P: Voltando para a nossa primeira pergunta, eu percebi que você enfatizou a palavra Harry Potter quando você falou o último livro de Harry Potter da Sra. Rowling. Você é a primeira opção em qualquer outra série que ela possa estar fazendo?
R: Não, mas nós nos consideramos como a sua editora nos EUA e ela é muito leal a nós e nós somos muito leias a ela. Nós vamos continuar trabalhando juntos. É menos algo do tipo, nós não vamos ter. É mais algo do tipo, não vai ser outro Harry Potter.

P: A companhia que seu pai fundou tem agora 86 anos. Você tem visto uma diminuição pelo interesse da leitura entre crianças com a Internet e todas as novas tecnologias?
R: A estatística da NAPE [Avaliação Nacional do Avanço Educacional] vai lhe mostrar que houve certa redução no hábito da leitura. Mas sempre houve muitas pessoas que não lêem muito.

P: Então o que vocês fazem em lugares como China e Índia?
R: Nós estamos nos expandindo. Nós somos uma companhia mundial em 65 países, e escritórios em 15 destes, incluindo China, Índia e Sudeste da Ásia. A situação lá é diferente, com uma classe média crescendo, com pais dedicados a levar os filhos à realização, e as crianças estão ávidas para aprender e ter sucesso. É este grupo que estamos focando na Ásia. Nosso preço lá é bastante baixo, eles não pagam 5 dólares por um livro, eles podem pagar 1 ou 2 dólares.

P: Então eles são reduzidos?
R: Não, são os clássicos americanos, com alguma literatura indiana que é escrita e desenvolvida lá – eles apenas não são no mesmo tipo de papel. Na literatura desenvolvida nós trabalhamos com todas as agências que podemos encontrar. Na Índia, as pessoas já lêem em inglês. Na China eles querem ler em inglês. Os livros são em inglês.

P: Então você não está lamentando o fato de que as crianças não estão lendo tão bem, ou tanto quando eles costumavam?
R: Não, não muito. Se você olha a pesquisa aprofundada você vai ver que a tecnologia pode ajudar as crianças a aprender a ler. No fim das contas para você usar todas as engenharias de pesquisa você tem que saber ler. Eu vejo isso como um processo de 20 anos que começou talvez uns 5 anos atrás. Nós vamos ver mais sobre o impacto da tecnologia e a interação entre imagens e palavras. Afinal se nós pensamos em leitura como uma visualização na sua mente, poderia facilmente haver um renascimento das atividades intelectuais, independente de você chamar de leitura ou não, eu chamaria.

P: Então você é otimista?
R: Nós lutamos com o que eu chamaria de palavras numa página impressa, e com todas as tecnologias novas. Eu diria que a Scholastic está na dianteira daquelas novas tecnologias.

P: Voltando para Harry Potter, quando vai ser lançado o último livro?
R: Bem, “Harry Potter and the Deathly Hallows” vai ser lançado em 21 de julho. Nós planejamos um número de cópias um pouco maior que os anteriores, o que tem acontecido toda vez. Nós achamos que tem algumas pessoas que leram o um, dois e o três, mas não leram o quatro, cinco e seis – eles ficavam mais sombrios e mais complicados – mas que vão querer ver como termina.

P: Sim, falando em como termina, nós soubemos que duas pessoas são mortas. Você pode dizer quem são? E as pessoas também querem saber se será Harry.
R: (Risos) Eu nem mesmo sei. Verdade. Um pequeno número de pessoas leram o livro. Eu não li. Eu tenho certeza que ela pensa no final de “Pequena Nell” do Charles Dickens quando as pessoas estavam esperando nas docas pela última seqüência – para ver se “Pequena Nell” iria morrer. Você sabe, uma das melhores coisas é fazer as pessoas imaginar o que vai acontecer: meu filho de 10 anos tem uma interpretação brilhante. Nós estamos começando uma campanha para professores usarem em sala de aula: sete questões, incluindo quem sobrevive e quem morre. Muitas pessoas, incluindo autores mundialmente famosos estão tentando adivinhar como vai terminar.

P: Posteriormente, é claro, tem o filme que está vindo em dezembro, “A Bússola Dourada”, com algumas grandes estrelas.
R: Bem, você sabe, ser parte do ramo de cinema não é novidade para nós. Muitos filmes são feitos dos livros que vendemos, então se você tem uma propriedade – como “O grande cão vermelho” ou “O ônibus mágico” ou “Goosebumps” – você pode criar um programa de televisão ou um filme.

P: Como está aquele final dos negócios?
R: Está ficando mais difícil criar novos programas de TV.

P: Porque?
R: Está mais difícil criar sucessos de TV por causa de todos aqueles canais a cabo. Está ficando mais dividido. Nós trabalhamos com PBS – era uma rede nacional que atingia todos. Embora existe o Nichelodeon e o Cartoon Network, ainda é uma pequena porcentagem. Nós estamos trabalhando com os estúdios para desenvolver propriedades sem colocar qualquer dinheiro nisso. Eles investem o dinheiro, nós colocamos muito trabalho nele, é uma parceria maravilhosa.

P: E sobre “A Bússola Dourada”?
R: Você pode não estar familiarizado com a série “A Bússola Dourada” mas ela compete com Harry Potter na Inglaterra. Daniel Craig e Nicole Kidman estão nele, mas a estrela vai ser uma criança: uma pequena de 11 anos, ela está ficando grande! Ela e o urso polar são os verdadeiros heróis. É uma trilogia épica e foi escrita antes de Harry Potter. Uma história boa e cruel, muito imaginativa, muito metafórica.

P: O filme pode aumentar a venda dos livros. Vocês são a editora?
R: Espero que sim. Nós os publicamos na Inglaterra, Random House os publica nos Estados Unidos.

P: Falando do lado dos negócios, porque a popularidade caiu bruscamente próximo do fim de março? Recuperou-se um pouco, mas ainda está abaixo do que era.
R: (Acenos) Um dos nossos negócios: a continuidade do negócio. Isto leva a entregar livros infantis, como faz o livro do Month Club, a cada quatro semanas. Nós mudamos os negócios para entrarmos na internet e reduzimos o tamanho. Assim que nos espalhamos pela internet, nós decidimos a ter uma visão um pouco mais conservativa e decidimos eliminar preços promocionais e a Rua teve uma visão levemente ruim das nossas ações.

P: Qual a sua perspectiva sobre o preço das ações da Scholastic, que agora são de 31,98?
R: Nós nos tornamos públicos no final dos anos 60 e depois nos tornamos privados no meio dos anos 80. Nós ficamos fora por cinco anos e depois voltamos em 92. As ações têm subido e caído, para acompanhar o que acontece, você tem que mudar os seus métodos de comunicação, se mover mais para o internet. Nós fazemos parceria com professores para tornar suas classes mais interessantes e nós temos mudado muito vendendo pela internet.

P: Você falou que tem um enorme negócio de clube de livro. Como a internet afetou isso?
R: Metade dos pedidos dos clubes de livro são pela internet.

P: Como os negócios da Scholastic se dividem?
R: Livros infantis, que incluem os clubes de livros, compõem 60 por cento. Educação – material vendido para escolas – compõe 20 por cento. O restante são os negócios internacionais.

P: Ainda assim, os 8 por cento por Harry Potter é uma parte significativa dos negócios.
R: Sim, nada vai ser como Harry Potter, mas “Goosebumps” vendeu o mesmo número de cópias – a diferença é que eles são de capa mole, então o preço é menor. Eles são engraçados e assustadores e as pessoas os adoram – eles são um campeão de vendas na China: 300 a 400 milhões de cópias! Mas existem muitas outras coisas que poderiam ser fenômenos. Na Scholastic estamos tentando constantemente criar essas coisas.