“É muito difícil definir onde Rony termina e onde eu começo”, diz Rupert Grint em entrevista

//Por Isabela Colucci - quinta-feira, 12 de outubro de 2017 às 03:57

Em entrevista ao site Independent.ie, o ator Rupert Grint, que interpretou Rony Weasley nos oito filmes da série Harry Potter, discutiu sua carreira após Relíquias da Morte – Parte 2 e sua relação com o personagem ao qual deu vida durante anos.

“É um grande desafio quando você segue em frente e faz algo diferente. Também, você tem que saber que Harry Potter foi uma grande parte do meu crescimento, tanto que Rony Weasley se tornou, de certa forma, parte de mim. É na verdade muito difícil definir onde Rony termina e onde eu começo. Por causa disso, é difícil entrar completamente na cabeça de um novo personagem.”

Para ler a tradução completa da entrevista, acesse a extensão deste post.

Rupert Grint: “É muito difícil definir onde Rony termina e onde eu começo”
Independent.ie – Tony Clayton Lea

Tradução: Anna Viduani
Revisão: Mauren Ziak

Enquanto Rupert Grint não tem problemas em ser lembrado para sempre como o parceiro de Harry Potter, ele conta para nosso repórter que está se deliciando com o desafio de se livrar dos traços de Rony Weasley para interpretar um mentiroso compulsivo.

Rupert Grint sabe o que esperar. Ele pode ter ganhado uma boa quantia de dinheiro (fortuna estimada em €27 milhões) por sua atuação nos oito filmes da saga Harry Potter, e pode estar no caminho de se estabelecer, pós-Potter, como um ator digno de confiança, mas ele sabe que seu papel como Rony Weasley sempre será referenciado em tudo que ele faz.

Agora com 29 anos de idade, e mais de seis anos transcorridos desde Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2, Grint está tão ciente do fato de que Rony Weasley vai segui-lo por todas as décadas que ele prontamente responde às perguntas, antes de mesmo elas serem feitas.

Eu mal balbuciei as primeiras palavras de minha pergunta inicial (“Quando o último filme de Harry Potter terminou, ele sentiu que precisava fazer trabalhos diferentes para estabelecer-se como ator?”), e ele entra em cena, prontamente mordendo a minha isca.

“Houve uma certa pressão, sim, mas eu não acho que tomei nenhuma decisão de buscar coisas que fossem particularmente chocantes, nunca foi algo planejado, só aconteceu. Eu definitivamente queria fazer teatro, porque é uma técnica muito diferente.”

“Tudo que eu queria eram fazer trabalhos que fossem direcionados por personagens fortes e fossem bem escritos. Os filmes e os livros de Harry Potter são tão amados por gerações sucessivas que eles sempre estarão comigo. O desafio é quebrar isso de forma gentil de vez em quando, e fazer coisas diferentes. ”

Grint fala de forma sábia. Ainda muito amigo de seus ex-companheiros de franquia, Daniel Radcliffe e Emma Watson, ele presenciou a trajetória e qualidade de suas respectivas carreiras cinematográficas, e comparou resultados. Enquanto seu próprio caminho pós-HP não está exatamente cheio de trabalhos de tanta notoriedade – ou muitos trabalhos no total–, há mais de uma pequena diferença. Para começar, entre trabalhos em filmes, teatro e televisão, ele fez majoritariamente trabalhos de pequeno orçamento, de perfil pouco chamativo, e o mais a prova de falsidades que você pode imaginar.

“É uma coisa inevitável,” diz Grint sobre os perigos dos estereótipos, “mas você conta com seus instintos para papéis diferentes.”

O mais recente “papel diferente” de Grint é a comédia Sick Note, que ainda não estreou, e conta com a produção da Sky Atlantic. Considerando a grande quantidade de papéis que chegam em suas mãos, – e sem contar com o quão estável financeiramente ele é –, podemos presumir que ele escolhe seus papéis muito cuidadosamente?

“Acho que sim”, ele responde vagamente. “Não é algo que eu penso muito sobre, mas papéis com personagens obstinados são bons, assim como aqueles que são cercados por pessoas criativas.”
Sick Notes, ele diz, “foi por causa do script, porque – eu sei que você já deve ter ouvido isso muitas vezes – eu nunca tinha lido nada parecido antes.”

Para ser justo, o script (escrito em conjunto por James Serafinowicz e Nat Saunders) tem um toque de arrojo. Estrelando Nick Frost e Don Johnson (e na já encomendada segunda temporada, Lindsay Lohan); Grint interpreta o mentiroso habitual Daniel Glass, um homem adulto, em um trabalho que ele odeia e em um relacionamento pelo qual ele não se interessa. Sua vida muda radicalmente quando ele é diagnosticado com câncer esofágico – as pessoas começam a vê-lo sob uma nova ótica, e tratam ele com atenção e respeito.

Enquanto incialmente perturbado pela iminência de sua morte, Glass descobre em si uma nova explosão de energia – ele não tem muito tempo faltando, então começa a aproveitar o tempo restante ao máximo. A articulação da narração, porém, é que Glass foi mal diagnosticado por um médico incompetente. Sendo um mentiroso compulsivo, ele continua a enganar aqueles ao seu redor.

“É um tema até que muito arrojado para uma comédia,” concorda Grint. “É sombria, e tem um sentimento de novidade nela. Eu amei a ideia de como uma mentira pode sair completamente fora de controle, se torna uma coisa impossível de acompanhar, e como tantos personagens diferentes se misturam a ela.”

Eles está muito empolgado pelo pedido para uma segunda temporada por parte da Sick Note. O estilo ,em desenvolvimento, da televisão, que continua a atrair tantas estrelas e diretores bem sucedidos do cinema, combina com ele.

“Harry Potter é uma daquelas coisas únicas que podem acontecer em sua vida. Ter a oportunidade de assumir um personagem, e poder desenvolvê-lo por um longo período de tempo, não acontece comumente, especialmente com uma pessoa interpretando o mesmo personagem. Séries podem fazer isso de uma forma muito boa – é só olhar para uma premiação recente do Emmy Awards para saber que muita coisa boa é feita especificamente para a TV, seja drama ou comédia.”

Quando ele começou a atuar (com 11 anos), Grint não era um aluno de escola de atuação que queria ser famoso, mas ganhou um papel que milhares de crianças venderiam suas avós para ter. Será que adentrar em personagens é algo natural para ele agora?

“Ah, sim, é sim, com certeza. Eventos como Sick Note e outros trabalhos que eu fiz que não foram Harry Potter é como estar no mundo real. Potter foi um processo muito pouco usual, nós criamos uma família em que a cada ano se tornava mais uma rotina. Interpretando o mesmo personagem, você sabe o que você vai fazer o tempo todo, e você pode conhecer o personagem por inteiro.

“É um grande desafio quando você segue em frente e faz algo diferente. Também, você tem que saber que Harry Potter foi uma grande parte do meu crescimento, tanto que Rony Weasley se tornou, de certa forma, parte de mim. É na verdade muito difícil definir onde Rony termina e onde eu começo. Por causa disso, é difícil entrar completamente na cabeça de um novo personagem.”

Isso o inibe, de alguma forma, quando é o momento de escolher papéis?

“Eu não sinto que é um obstáculo real, mas é algo que eu sei que tenho que me concentrar, talvez batalhar um pouco. Me ajuda muito quando a escrita é boa, e isso é bem estabelecido em Sick Note.”

Tem sido um considerável desafio para Grint negociar de forma segura esse caminho de adolescente para adulto, mas ele parece ter os pés no chão. Ele é, surpreendentemente, honesto sobre a experiência.

“Estar envolvido no ambiente adulto de Harry Potter desde uma idade tão jovem – foi um período estranho de minha vida,” ele revela. “Eu não tenho a mesma independência de outro jovem de 29 anos teria, e isso sempre me fez sentir mais jovem do que eu sou. Nesse sentido, eu me identifico com o Daniel Glass – ele luta com crescer e enfrentar a responsabilidade.”

Dito isso, Grint amigavelmente admite ser um adulto perfeitamente funcional. “Sim! Eu percorri um longo caminho.”

Mesmo assim, como ele admitiu, Rony Weasley está marcado em sua persona. Mesmo agora, quase sete anos após o último filme de HP, ele ainda não pode andar pela rua na maior parte das cidades do mundo sem ser parado para uma selfie.

“É algo comum,” ele diz com uma mistura de cansaço e aceitação. “Eu pensei que iria diminuir por causa do anos que se passaram, mas as novas gerações realmente leem os livros e veem os filmes, então é algo constante.”

“Todos são muito legais, claro, mas é algo que eu fui me acostumado desde muito novo. Não é muito intrusivo, mas às vezes só quero desaparecer.”

Você teria que ser mágico para isso acontecer, Rupert. Ah, espera aí…

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Categorias: Atores, Entrevistas, Rupert Grint
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