Seção Granger: Entrevista com Paula Hawkins, autora de A Garota no Trem

//Por Aline Michel - quinta-feira, 28 de setembro de 2017 às 16:15

Como escrever um livro de tirar o fôlego? Paula Hawkins, autora de A Garota no Trem, foi buscar inspiração em Alfred Hitchcock, Agatha Christie e até em J. K. Rowling! “Sou muito velha para Harry Potter, então só li o primeiro. Mas li também O Chamado do Cuco. A Rowling é maravilhosa, e inspira todos nós.”

Nascida no Zimbábue, Paula esteve no país para a 18ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, e se surpreendeu: “Quando pensamos sobre o Brasil, só nos vêm à mente o clima de verão, o carnaval, o futebol e a Amazônia”, comenta em tom descontraído.

Você pode ler mais sobra a conversa com a autora em noticia completa.

Seção Granger: Entrevista com Paula Hawkins, autora de A Garota no Trem
Por Kaio Rodrigues
Colaboração: Michael Costa

Mais vendida que Dan Brown

O seu romance policial conquistou crítica e público desde o lançamento em 2015, e foi adaptado à tela grande no fim de 2016. No mesmo ano, passou 20 semanas na lista dos mais vendidos do Reino Unido, quebrando o recorde de O Símbolo Perdido, de Dan Brown. Tamanho sucesso, no entanto, não distraiu a escritora. “Continuo focada no meu trabalho e nos meus livros, tentando não deixar o sucesso me afetar”, comenta entre risos.

Mesmo inspirados em Agatha Christie, seus romances policiais fogem ao clássico. Não há um detetive, e toda a investigação é feita página a página pelo próprio leitor 一 exatamente como no livro do brasileiro Raphael Montes, que a autora carregava durante a entrevista: a edição inglesa de Dias perfeitos. “Será o próximo da minha lista”, revela.

A Garota no Trem

Formada em jornalismo, sua versatilidade de pensamento e capacidade de observação são as grandes virtudes para escrever obras classificadas pelos críticos como clássicos instantâneos da nova literatura policial.

A Garota no Trem acompanha a história de Rachel Watson, alcoólatra incorrigível e depressiva que passa o dia observando as pessoas pela janela do transporte público. Aparentemente inocente, o hábito a coloca no centro de um misterioso desaparecimento onde todos são suspeitos, inclusive Rachel.

O pano de fundo da trama veio do transporte que Paula usava diariamente para chegar a Londres. “Eu costumava olhar para as casas por onde o trem passava, me perguntando sobre a vida daquelas pessoas. Nunca vi nada muito interessante, mas sou muito criativa”, afirma. A essa ideia, somou-se a figura antiga de uma mulher que bebia a ponto de não se lembrar o que fez na noite anterior. “Cheguei a começar um livro diferente com Rachel, mas não deu certo. Quando eu uni seu drama à trama de mistério, tudo fez sentido”, exclama com satisfação.

Depressão, alcoolismo, perseguição. Paula se diz apaixonada por esses assuntos obscuros: “Tento encontrar personagens complicados e dramáticos, porque eles são mais interessantes. O difícil é convencer as pessoas a ler; mantê-las interessadas, sabe?”

Pseudônimo

Assim como Rowling, Hawkins também tem um pseudônimo. Quem lê suas obras tão polêmicas nem imagina que a escritora começou a carreira com comédias românticas permeadas de futilidade, à moda Sex and the city. Foram quatro livros lançados sob o pseudônimo de Amy Silver, dos quais não se arrepende, mas também não fala muito. “Eu comecei com esses livros porque uma editora me pagava para escrever sobre personagens e tramas já delineadas”, relembra Paula, para quem escrever thrillers é bem mais natural.

Tão natural que ela dispensa prazos exorbitantes que obriguem-na a fazer tudo com pressa: “Mas gosto de escrever, então escrevo todos os dias, se eu puder. Começo e finalizo com o personagem. Tento construir um romance em volta dele. Também gosto de saber para onde estou indo e onde exatamente é o fim da trama. É o que amo fazer.”

Feminismo

Para narrar as histórias de Nel e Jules, protagonistas de Em Águas Sombrias Paula Hawkins intercala capítulos sob os pontos de vista de diversos moradores do pequeno vilarejo de Beckford, onde há séculos mulheres cometem suicídio atirando-se em um poço. Publicado pela Record no último maio, mostra que sob a superfície calma de uma pacata cidade podem se esconder traumáticas histórias. É um livro sobre o passado e suas implicações no presente mas, mais do que isso, sobre mulheres fortes e determinadas.

São as personagens femininas, aliás, os maiores destaques dos seus livros. “Eu sou feminista e sou escritora, então meus livros são feministas. Mas eu não me sento para escrever um livro assim. Eu simplesmente deixo tudo em que acredito se realizar de forma muito natural”, diz.

Nas telonas

Impossível falar de mulheres fortes sem citar Emily Blunt (O Diabo Veste Prada), que viveu Rachel Watson na tela grande. “Emily tornou Rachel real. Trouxe à tona aquele estilo próprio, introspectivo, de alguém acabado. É muito difícil fazer o que ela fez sem parecer algo um tanto quanto bobo ou ridículo”, avalia.

Apesar de ter gostado do resultado, a escritora não se envolveu na adaptação de A Garota no Trem. “Deixei isso com a equipe, e eles fizeram um bom trabalho”, resume. Se o primeiro filme ficou bom, os fãs têm mais um motivo para comemorar: Paula está envolvida na adaptação de Em Águas Sombrias. “Vou acompanhar de perto o roteiro”, conta em tom misterioso.

Roteiro, livro,entrevista. Ao que parece, o trem de Paula Hawkins está a todo vapor. A autora garante: nos próximos romances, haverá muito sangue, mortes, desespero, questões de gênero. E mulheres complexas, claro!

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