Seção Granger: “Garota Exemplar”, de Gillian Flynn

//Por Kaio Rodrigues - domingo, 23 de julho de 2017 às 18:45

Neste domingo, nossa newsposter e tradutora Beatriz Franco estreia na Seção Granger com a crítica de Garota Exemplar, da americana Gillian Flynn.

Para ler a crítica na íntegra, acesse a extensão deste post.

“Garota Exemplar “, de Gillian Flynn
Resenha crítica por Beatriz Franco

A trama se inicia na manhã do quinto aniversário de casamento de Amy Elliott e Nick Dunne, que passavam por uma grande crise no relacionamento. Depois de deixar Amy fazendo o café da manhã, estranhamente calma após uma briga na noite anterior, Nick sai para caminhar e volta para uma casa destruída e ensanguentada – Amy havia sumido. A partir da aparente tragédia, o enredo se revela, assim como a natureza de cada personagem.

A maneira com que a autora Gillian Flynn constrói o clima de mistério é brilhante. Em um primeiro momento, tudo que temos são entradas no diário de Amy que narram os altos e baixos de sua vida, inclusive sobre seu relacionamento com Nick; e a perspectiva do marido, que desde a primeira página é enigmático, desconfiado e, acima de tudo, suspeito.

O mais surpreendente é como tais histórias (verdadeiras ou não) e julgamentos se desenvolvem ao longo da leitura: Flynn não simplesmente diz, mas mostra, permitindo que o leitor tire as próprias conclusões.

A construção do caráter, do raciocínio de Amy, a evolução de seus planos: cada detalhe é colocado no lugar certo para que tudo faça sentido, e cada ação tenha um motivo. A protagonista também é humanizada, e comete falhas e tem seus momentos de compaixão.

Garota Exemplar é um suspense envolvendo personagens que todos nós já conhecemos: a irmã de Nick, a garota que “não é como as outras garotas”, o pai de Nick, que leva a culpa pelo comportamento machista do filho, os pais supercontroladores e perfeccionistas de Amy, e, é claro, o marido, Nick Dunne. Como descrito no livro, um típico “cara de fraternidade”. Gosta de futebol, cerveja, mulher. Pensamentos violentos, direcionados principalmente às mulheres, aparecem diversas vezes durante sua narrativa, fator importante e sutil que planta uma dúvida necessária sobre seu caráter e inocência.

É bem verdade que o livro apresenta aspectos muito negativos e apresente erros imperdoáveis, como as falsas denúncias de estupro (entre outras maldades) feitas pela personagem principal. O entanto, acredito que Amy seja uma reação, mesmo que surreal, violenta e privilegiada (rica, branca, estadunidense), à toda a pressão colocada em suas costas e às agressões cotidianas da sociedade.

De início, o tema não chama muito a atenção – parece tedioso e superficial – mas logo você se encontra envolvido com personalidades interessantes, mistérios verdadeiramente intrigantes (O que essas pistas da caça ao tesouro querem dizer? Para onde elas o levam? O que Amy sabe?) e um desejo enorme de saber o que acontece no próximo capítulo.

Tão arrebatador quanto o longa metragem inspirado na obra, Garota Exemplar tem o poder de manter o leitor tenso até o último parágrafo e fazê-lo torcer por Amy até em seus momentos mais sombrios.

448 páginas, Editora Intrínseca, publicado em 2013.
Título original: “Gone Girl”.
Tradução: Alexandre Martins.

Beatriz Franco é estudante e tradutora do Potterish.

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Categorias: Autores, Seção Granger
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