Magia do Cinema: O Mínimo para Viver

//Por Pedro Martins - segunda-feira, 24 de julho de 2017 às 14:00

Estrelado por Lily Collins, O Mínimo para Viver aborda um assunto delicado e necessário: anorexia. Na Magia do Cinema, trazemos nossa crítica do novo longa-metragem da Netflix.

Lily Collins está surpreendente, não apenas pela mudança física que vem ganhando destaque na mídia, mas pela segurança que transmite ao papel. Não precisa gritar ou chorar em cena para atingir a dramaticidade necessária. Sua atuação é equilibrada, convence pelo olhar, e sua linguagem corporal é de alguém que parece prestes a quebrar a qualquer momento.

Para ler a crítica na íntegra, acesse a extensão deste post.

O Mínimo para Viver
Crítica por Evandro Lira

O Mínimo para Viver, nova produção em longa-metragem da Netflix, aborda um assunto delicado e necessário, mais presente em nosso cotidiano do que pode se imaginar. E não é preciso que conheçamos dados estatísticos ou que nos seja apresentada uma cartilha da Organização Mundial da Saúde para nos atentarmos ao drama da protagonista Ellen (Lilly Collins), que vive com anorexia.

O roteiro de Marti Noxon, que também assume a direção, é um misto de boas escolhas e deficiências preguiçosas. Na mesma medida que acerta em não ir pelo caminho óbvio quando se trata das doenças enfrentadas pelos personagens, erra ao apresentar coadjuvantes cujas funções na trama são perceptíveis rapidamente, fazendo-nos esquecer de que são pessoas, ao invés meros apoios para fazer a história acontecer.

Ellen já passou por diversas internações sem nenhum progresso e, com uma família nada compreensiva, é enviada aos cuidados de William Beckham (Keanu Reeves), que apesar de ser vendido pela trama como um médico pouco ortodoxo, nada mais é do que um arquétipo comumente usado nesse tipo de história: a do mestre responsável, sincero, que confronta com autoridade e que vem para fazer a diferença.

Na nova casa de reabilitação, somos apresentados a outros personagens que enfrentam distúrbios alimentares e, enquanto não conhecemos realmente nenhum deles, ao menos compreendemos mais a doença a partir de pequenos hábitos desses pacientes, como correr às escondidas para perder calorias ou verificar com frequência o tamanho do braço com a mão fechada sobre ele. Trabalho dos produtores, que consultaram pessoas que vivem com tais transtornos na vida real.

Ainda que o filme passe muito tempo mostrando a nova relação de Ellen com Luke (Alex Sharp), o único garoto da reabilitação, a parte mais interessante é ver a jovem em seu núcleo familiar, composto por várias figuras maternas: a madrasta estúpida, a mãe que não consegue lidar com o problema da filha e que vive com uma nova família em outro estado, um pai que de tão ausente sequer aparece no filme e a irmã, que mesmo sendo a única com quem Ellen realmente se abre, não consegue entender a magnitude de uma doença como a anorexia.

O cuidado da direção e da fotografia ao trabalhar os enquadramentos, inserindo estrategicamente a protagonista no centro de planos abertos, chama atenção. O filme conta, ainda, com uma direção de arte eficiente, que usa os cenários e as cores dos figurinos em prol da história: Luke, por exemplo, é o único que tem fé no tratamento e o único que veste cores que saltam à tela.

Lily Collins está surpreendente, não apenas pela mudança física que vem ganhando destaque na mídia, mas pela segurança que transmite ao papel. Não precisa gritar ou chorar em cena para atingir a dramaticidade necessária. Sua atuação é equilibrada, convence pelo olhar, e sua linguagem corporal é de alguém que parece prestes a quebrar a qualquer momento.

Para o roteiro de O Mínimo para Viver, aparentemente, enfrentar a anorexia não é o bastante. Próximo ao fim do filme, é revelado mais um trauma vivido por Ellen, algo desnecessário, que poderia ter cedido lugar ao fechamento dos plots de alguns personagens da reabilitação, como o da jovem que sofre uma grande perda em determinado momento, ou o da garota que consegue burlar a segurança da clínica sem muitas explicações.

Com um clímax que se dispôs a resolver rápido demais uma questão que a personagem passou o filme todo para encarar, O Mínimo para Viver termina com a sensação de que ali cabia mais. O alerta sobre esses problemas pouco discutidos está lá e é louvável, mas a obra em si parece estar mais interessada nesse aspecto do que realmente na boa história que devia contar.

Evandro Lira é estudante de Cinema na Universidade Federal de Pernambuco e colaborador do Potterish.

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