E se…? Questões de escolha

//Por Pedro Martins - sexta-feira, 07 de julho de 2017 às 14:54

Para brindar o retorno das colunas do Potterish – desta vez, em definitivo! –, nossa colunista veterana Natallie Alcantara nos convida a pensar sobre detalhes da série que mudaram por completo o destino de personagens e de todo o Mundo Bruxo.

“Talvez pensar nos ‘E se’ em Harry Potter guiem os leitores a entender que escolhas são muito difíceis, mas têm de ser feitas. Afinal, de acordo com Dumbledore, o que nos definem são nossas escolhas, não nossas habilidades.”

Leia o texto na íntegra na extensão deste post e não se esqueça de acrescentar, nos comentários, seus próprios pensamentos.

Por Natallie Alcantara

Preciso explicar, primeiramente, de onde surgiu a ideia para este texto. Depois de ler o primeiro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo, Guerra dos tronos, e principalmente enquanto lia os livros restantes, não teve como não pensar em todas as escolhas erradas feitas por Lorde Eddard Stark – um dos personagens principais da série. Sim, digo escolhas erradas porque, ao invés de pensar na segurança da própria família, ele escolheu ser honrado.

Aí me peguei pensando em como os autores usam a questão das escolhas em seus livros. De que forma isso afeta todo o desenrolar da história, muitas vezes fazendo com que nós, os leitores, amaldiçoemos ao mesmo tempo em que nos sintamos penalizados por alguns personagens e situações. Isso me levou a Harry Potter, uma história tão cheia de diferentes facetas e questões a serem analisadas; dentre elas os muitos “E se”, que na maioria das vezes fazem toda a diferença na história.

Mérope Gaunt cansou de ser maltratada pelo pai, fugiu, enfeitiçou Tom Riddle e engravidou dele (como ele estava enfeitiçado com uma Poção do Amor, a relação sexual foi consensual, sem violência). Quando achou que o bebê seria suficiente para manter o homem que amava ao seu lado, Mérope escolheu lhe contar a verdade. O resultado disso os leitores conhecem: a jovem foi abandonada e repudiada. Podemos supor que o fato de Voldemort desconhecer o sentimento do amor se deve a sua concepção, fruto de uma poção mágica, não de uma relação de sentimentos verdadeiros. Será que, se Mérope não tivesse contado a verdade para Tom, Voldemort teria tido uma família (ainda que iniciada em falsas bases) e não se tornaria o monstro que mais tarde se tornou?

Lílian Potter se colocou na frente de Harry quando Voldemort tentou matá-lo. E se Voldemort tivesse conseguido matá-lo antes? E se Lílian tivesse sido afastada do filho, sendo poupada como Snape pediu a Voldemort? “O menino que sobreviveu” obviamente não existiria, e Voldemort continuaria propagando sua carreira de terror. Nesse caso, ao menos, existe uma resposta para tantos “E se”.

Voldemort escolheu Harry, sendo que a profecia sobre aquele que o destruiria também se referia a outra criança, Neville Longbottom. Se Voldemort tivesse escolhido Neville, será que a mãe dele teria se atirado na frente do filho, como Lílian fez? Será que Voldemort teria tentado poupá-la, como fez com Lílian? No caso de Lílian tinha um motivo, mas minha mente romântica-que-insiste-em-dar-o-mérito-da-dúvida não consegue pensar que Voldemort não daria a mesma escolha de se afastar para Alice.

O Chapéu Seletor considerou colocar Harry na Sonserina, e só não o fez porque o menino pediu. Neste pequeno ato, Harry já mostrou o quanto é diferente da maioria das pessoas. Ele não se prendeu à grandeza da Grifinória, somente quis evitar ir para uma casa de má fama. Neste caso, pouco importa o quanto a casa de Godrico pudesse ser uma das melhores. Ele só não quis fazer parte de um grupo que, segundo todos, era famoso por formar bruxos das trevas.

E se mesmo assim Harry tivesse sido selecionado para a casa de Salazar? Sua vida teria sido mais fácil em Hogwarts? Ou menos? Será que seus atos seriam igualmente grandiosos, se comparados aos realizados enquanto aluno da Grifinória? Ou seriam do mesmo tipo de grandeza dos de Voldemort? Afinal, Voldemort realizou atos malignos, sim, mas grandes atos, mesmo assim.

Em alguns aspectos, Harry e Voldemort apresentam semelhanças. A diferença está no fato de que, enquanto Harry escolhe ser bom apesar de tudo, Voldemort escolhe o pior caminho: a ganância por poder ilimitado, apelando para todo e qualquer tipo de maldade, não somente contra si mesmo, como a divisão de sua alma para criação de horcruxes, mas até contra uma criança inocente.

Talvez pensar nos “E se” em Harry Potter guiem os leitores a entender que escolhas são muito difíceis, mas que têm de ser feitas. Afinal, de acordo com Dumbledore, o que nos definem são nossas escolhas, não nossas habilidades.

Felizmente, Natallie Alcantara escolheu ser colunista do Potterish.

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