Um brasileiro em Harry Potter: 9 curiosidades com Eduardo Lima

//Por Equipe Potterish - quinta-feira, 25 de maio de 2017 às 15:46

O Potterish esteve em Londres para conversar com Eduardo Lima, designer gráfico dos filmes da série Harry Potter e de Animais Fantásticos e Onde Habitam. Sim! Ele representa o “Lima” do famoso estúdio MinaLima, que presta serviços à Warner Bros. Pictures e trabalha diretamente nos sets de filmagens.

Da Casa de MinaLima, nosso webmaster Marcelo Neves trouxe nove curiosidades sobre a relação do designer brasileiro com o Mundo Bruxo de J.K. Rowling.

1. “O filme de um menino órfão que vira bruxo.”

Mineiro de Caxambu, Eduardo chegou ao Reino Unido pela primeira vez em 1997. Dois anos depois, de volta ao Brasil, ele estava trabalhando com cinema quando confidenciou à diretora Ludmila Ferolla o desejo de retornar à Terra da Rainha. Foi por meio dela que Eduardo conheceu aquela que se tornaria sua melhor amiga e sócia: Miraphora Mina, que à época se dedicava ao “filme de um menino órfão que vira bruxo” e lhe ofereceu uma semana de estágio no set de Harry Potter e a Pedra Filosofal. “Eu não conhecia os livros direito, então tive que ler depois para conseguir acompanhar tudo”, relembra.

2. O encontro com J.K. Rowling

Foi sem muito conhecimento do Mundo Bruxo que Eduardo encontrou J.K. Rowling pela primeira vez. Na época, ocupada com os livros seguintes da série, Jo não comparecia às gravações com frequência. “Se ela ficasse por lá, ia enlouquecer”, brinca. Mas, certa vez, a autora confidenciou aos designers que sua sala preferida nos Estúdios Leavesden era a deles. “O que a gente faz é muito próximo do mundo dela”, compreende Eduardo. “As capas de livros, o Profeta Diário, suas manchetes e matérias, tudo éramos nós que tínhamos que inventar.”

Fotografia: Pottermore.

3. A Casa de MinaLima

Depois de tantos anos, Miraphora Mina e Eduardo Lima acumularam em seus malões uma infinidade de experiências ligadas ao Mundo Bruxo. Em 2015, então, eles pediram permissão à Warner Bros. para expor seus trabalhos em uma galeria londrina. Com o lançamento da peça Harry Potter e a Criança Amaldiçoada – que Eduardo assistiu na estreia, a duas fileiras de distância de Jo Rowling –, a exposição se tornou uma loja, em uma belíssima residência na Greek Street, no centro de Londres. Entre Profetas Diários, Mapas do Maroto e Cartas de Hogwarts, a Casa de MinaLima comercializa itens que todos os fãs amariam ter em casa. Eles até exportam para outros países – como o Brasil, é claro! Coruja eficiente a deles, não?

4. Trabalhos favoritos

Para Eduardo, um designer não pode se apegar às suas criações. “Peças que levam meses para ficar prontas acabam não sendo usadas, enquanto outras, feitas em poucos minutos, ganham destaque na produção.” Felizmente, seus dois trabalhos favoritos tiveram bastante tempo para serem produzidos e se destacam em quase todos os filmes: o Mapa do Maroto e o Profeta Diário. “Foram os mais trabalhosos, mas os mais gratificantes. Quando os criamos, não sabíamos da importância que teriam.” Seu maior desapontamento, no entanto, foi não ter podido trabalhar no F.A.L.E., campanha em defesa dos elfos domésticos liderada por Hermione Granger e cortada da adaptação de Harry Potter e a Ordem da Fênix.

Animais Fantásticos e Onde Habitam: O Roteiro Original

5. Animais Fantásticos e Onde Habitam: O Roteiro Original

Após trabalhar no projeto gráfico do Roteiro Original de Animais Fantásticos e Onde Habitam, Eduardo e Miraphora receberam um exemplar autografado pela autora, J.K. Rowling: “Esta é a capa mais bonita de todos meus livros”, dizia a dedicatória. Para ele, que sempre viu o trabalho feito em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban como sua melhor contribuição para o Mundo Bruxo, foi uma grande surpresa. “Eu vou guardar esse livro para a minha aposentadoria”, comenta o designer entre risos.

6. Animais Fantásticos 2

Enquanto o primeiro filme da série Animais Fantásticos contou com quase um ano de produção, sua sequência deve ser mais enxuta. Para que tudo saia como planejado, a presença de Rowling é essencial: “Já enviamos um email com perguntas e vamos marcar uma reunião para ela nos explicar tudo”, comenta Eduardo. Outras figuras essenciais que estão sempre presentes nessas reuniões são o diretor David Yates, que estudou na mesma escola de cinema que Miraphora Mina, e o designer de produção Stuart Craig, que foi elogiosamente apresentado pela própria Rowling à ex primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, durante uma visita ao Warner Bros. Studio Tour.

Eduardo Lima e Miraphora Mina

Fotografia: Pottermore.

7. Fundamentalismo religioso

Ao longo de seus quase 20 anos de existência, Harry Potter sofreu diversos episódios de perseguições religiosas, inclusive no Brasil. Do outro lado do Oceano, os designers da MinaLima vivenciaram algo parecido ao procurar um artesão escocês para trabalhar no quinto filme. “Assim que soube que era para Harry Potter, o homem disse que precisaria interromper a conversa, porque sua religião não o permitia se envolver com esse tipo de filme.”

8. Um conselho para jovens designers

Sempre que visita a Celebration of Harry Potter, evento que acontece anualmente no parque temático de Orlando, nos Estados Unidos, o brasileiro recebe uma série de perguntas de jovens que admiram e ambicionam seguir seus passos. Para ele, a dica é simples: não se restringir ao meio tecnológico. “Na época em que fizemos Harry Potter e a Câmara Secreta, eu não tinha um computador. Quase tudo foi feito à mão”, relembra. “A tecnologia ajuda para trabalhos rápidos. Às vezes, a produção nos liga e dá duas horas para entregarmos uma peça. Sem um computador, eu nunca conseguiria. Mas saber usar a mão é fundamental para acompanhar os avanços.”

9. Uma Casa de MinaLima no Brasil?

Em Londres, o maior número de perguntas que Eduardo recebe é sobre sua trajetória até o grande emprego sendo brasileiro. “A imagem que se tem aqui fora é de que o Brasil é apenas o país da corrupção. Quero ajudar a transformar esse pensamento”, diz o designer. A grande quantidade de trabalho, porém, impede-o de visitar nosso país com frequência, mas “a Mira morre de vontade de conhecer o Brasil. Ela quer ir no Carnaval.” Muito simpático, Eduardo ainda conta sobre o grande desejo de abrir uma Casa de MinaLima em algum lugar no Brasil, “mesmo que fosse por 6 meses.”

É aquele ditado: a esperança é a última que morre!

Redação: Kaio Rodrigues.
Edição: Pedro Martins.
Com agradecimentos à Caroline Oliveira, Beatriz Souza e Juliana Torres.

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