Ler nos torna mais empáticos

//Por Kaio Rodrigues - domingo, 08 de janeiro de 2017 às 21:04

A empatia é um dos temas mais discutidos da atualidade. Ele diz respeito à capacidade de uma pessoa se colocar no lugar de outra, compreendendo seus sentimentos e suas emoções. Ora, a literatura assume função crucial na busca pela empatia. Quando lemos, nos colocamos no lugar dos personagens, compreendendo seus anseios, suas dúvidas e seus objetivos. Ler nos torna mais empáticos.

A partir disso, os colunistas da Seção Granger aceitaram o desafio da Intrínseca e leram duas obras indicadas no Mesa Para Cinco, bate-papo da Editora no Youtube. Nosso editor, Kaio Rodrigues, leu Simon Vs A Agenda Homo sapiens, da americana Becky Albertalli. Já Anna constantino se deliciou com Alucinadamente Feliz, de Jenny Lawson. Você confere as suas impressões na extensão deste post.

Simon Vs A Agenda Homo sapiens, de Becky Albertalli

Simon tem 16 anos e está sendo chantageado. Martin, o bobão da escola, descobriu sua troca de e-mails com Blue, um menino tímido e inteligente que vem timidamente conquistando Simon, ainda que um não saiba a verdadeira identidade do outro.

Não que a homossexualidade seja um problema para o garoto. Na verdade, ele acredita que as pessoas não deveriam precisar assumir nada para ninguém. A divulgação de tais e-mails, porém, significaria o término de seu relacionamento, que sequer começou. A partir disso, ele passa a viver dois grandes dilemas: descobrir a identidade de Blue e evitar que seu segredo venha à tona.

Escrito pela norte-americana Becky Albertalli, Simon VS. A agenda Homo sapiens é uma epopeia à empatia. Os sentimentos fluem pelo livro com uma força ímpar, que pode ser motivada por inúmeros motivos. Talvez seja a capacidade de Becky para desenvolver personagens fortes e verossímeis. Talvez seja sua especialização em psicologia, que, de acordo com a própria autora, a permitiu ter contato “com adolescentes inteligentes, interessantes e irresistíveis”.

De qualquer forma, o livro, publicado pela Editora Intrínseca no ano passado, vem despertando reações entusiasmadas de leitores e críticos de todo o país.  A narrativa é vibrante, e leva o leitor a pensar que todas as pessoas são um pouco como Simon: enormes casas, que só podem ser vistas através de minúsculas janelas. Simon é gay, mas e daí? O mundo não é feito apenas de pessoas brancas, cristãs e heterossexuais: é isso, aliás, o que Becky tenta deixar claro ao longo da obra.

Por vezes descrito como um romance gay, Simon VS. A Agenda Homo sapiens fala na verdade sobre um conceito mais amplo de amor – algo que inclusive é a marca maior de toda a nossa amada série Harry Potter. Simon é amado por seus amigos e pela família, bem como pelo seu parceiro – que aos poucos ele vai conhecendo melhor. Tamanha empatia promete agradar aos fãs de J. K. Rowling, que comprovadamente são mais tolerantes – cuja obra, aliás, é citada no livro.

Simon teve os direitos de adaptação comprados por um grande estúdio, então não perca tempo: coloque logo esta história na sua agenda Homo sapiens.

Alucinadamente Feliz, de Jenny Lawson

Definido como “um livro engraçado sobre coisas horríveis”, narra, de forma cômica, como Jenny Lawson lida com seus problemas psicológicos e como sua família reage a isso.

O livro é organizado em histórias curtas; uma espécie de diário. A cada capítulo, o leitor encontra uma temática relacionada ao cotidiano da americana, o que nos rende muitas risadas. Jenny não economiza linhas ao narrar seus momentos mais engraçados, como a sua viagem para a Austrália com uma de suas amigas, em que ambas devem realizar alguns sonhos, como tirar foto com coalas estando fantasiadas como os animais, além de investigar se as descargas dos banheiros australianos realmente giram ao contrário:

Tentei descobrir, mas todas as privadas da Austrália são de baixo fluxo, então basicamente a água desaparece e depois volta. Desculpe-me se você ficou desapontado. Garanto que não está só.

Mas não são apenas coisas engraçadas que marcam o livro: a temática psicológica é bastante explorada por Jenny. Por meio de uma trama desconexa, ela faz com que o leitor se reconheça em cada um dos personagens: os que possuem transtornos psicológicos e os que convivem com quem os possui. Ao mesmo tempo em que rimos do absurdo dos casos narrados por Jenny, entendemos melhor sobre como a doença a afeta.

Com bom humor e pitadas de ironia, Alucinadamente feliz aborda grandes tabus, bem como questões que podem estar no cotidiano de qualquer leitor. Um livro que nos engrandece e nos dá o bom humor necessário para iniciar bem o ano.

Kaio Rodrigues é estudante de Letras da UERJ, colunista do Potterish e editor da Seção Granger.

Ana Luisa Constantino é formada em Biblioteconomia pela UNESP e editora do Potterish.

 

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