Seção Granger: “Felizmente, o leite”, de Neil Gaiman

//Por Pedro Martins - domingo, 26 de junho de 2016 às 22:15

Na última Seção Granger do mês de junho, trago a resenha crítica do fofíssimo “Felizmente, o leite”, escrito por Neil Gaiman, ilustrado por Skottie Young e publicado no Brasil recentemente pelo selo Jovens Leitores da Editora Rocco.

“A princípio, tudo pode parecer extremamente fantasioso, e obviamente é, mas com Neil Gaiman dando as mãos para o leitor como um pai e narrando lindamente a história, nada se torna desconexo; ao contrário, o livro se torna único e encantador.”

Para ler o texto na íntegra, acesse a extensão do post.

“Felizmente, o leite”, de Neil Gaiman
Resenha crítica por Pedro Martins

“Felizmente, o leite” é mais um dos trabalhos infantis escritos pelo aclamado britânico Neil Gaiman que com certeza encantará qualquer um que o ler, independente da faixa etária ou do gênero literário de preferência.

A premissa é simples (e mirabolante, não estranhe): com a mãe viajando a uma conferência para apresentar um trabalho sobre lagartos, dois irmãos estão sob cuidado de seu pai. Essa mãe, assim como Molly Weasley em “Harry Potter”, almeja o bem-estar máximo de seus filhos; ela deixa diversas anotações, ordens e comidas congeladas com etiquetas para cada dia. Na primeira noite, os irmãos queimam o jantar do dia e vão a um restaurante indiano. Na manhã seguinte, o leite acaba. Mas como as crianças poderão comer o cereal matinal e o pai tomar o seu chá sem leite?

Então, o pai sai para comprá-lo e leva “mais de mil horas para voltar”. Quando volta e é questionado sobre o porquê da demora, narra tudo o que aconteceu aos filhos como se estivesse contando uma história de ninar, mostrando que uma simples caminhada à padaria mais próxima pode se tornar uma grande aventura, com direito a alienígenas verdes e gosmentos, um deus de um vulcão, piratas, wumpiros, uma patrulha galáctica formada por dinossauros, um estegossauro cientista e sua máquina-do-tempo-balão e mais!

A princípio, tudo pode parecer extremamente fantasioso, e obviamente é, mas com Neil Gaiman dando as mãos para o leitor como um pai e narrando lindamente a história, nada se torna desconexo; ao contrário, o livro se torna único e encantador. E não só ele merece os créditos por isso: Skottie Young, um premiado escritor e cartunista que já trabalhou para a Warner Bros., Marvel, Cartoon Network e outras empresas de renome, ilustra maravilhosamente a versão norte-americana da obra, que foi a editada no Brasil pelo selo Jovens Leitores da Rocco. A título de curiosidade, a versão britânica foi ilustrada por Chris Riddell, que já trabalhou com Gaiman em outros títulos do autor (“A Bela e a Adormecida”, por exemplo) e também fez um trabalho encantador.

Premiado por diversos trabalhos na literatura, no cinema e na TV, Neil Gaiman mais uma vez se mostra, sobretudo, um grande contador de histórias.

128 páginas, Editora Rocco (Jovens Leitores), publicado em 2015.
Ilustrações: Skottie Young.
Título original: “Fortunately, the milk”.
Tradução: Edmo Suassuna.

Pedro Martins é estudante, leitor, Webmaster do Potterish e resenhista crítico do The Guardian.

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