Seção Granger: “O Primeiro Último Beijo”, de Ali Harris

//Por Pedro Martins - domingo, 15 de maio de 2016 às 21:18

Na Seção Granger deste domingo (15), continuamos com o gênero romance. Desta vez, Aline Lima, publicitária e colaboradora de diversas áreas do Potterish, fala sobre “O Primeiro Último Beijo”, de Ali Harris, lançamento do selo Verus do Grupo Editorial Record.

“O fato de Ali Harris ter escrito para diversas revistas femininas inglesas e inclusive ter sido editora da Glamour colaborou para a sua escrita, onde ela retrata com bastante sentimentalismo a vida dos personagens, mas às vezes, infelizmente, pesa a mão em algumas futilidades.”

Para ler a resenha crítica na íntegra, acesse a extensão do post.

“O Primeiro Último Beijo”, de Ali Harris
Resenha crítica por Aline Lima

“O Primeiro Último Beijo” narra a história de amor de Ryan e Molly: de como eles se encontraram e se perderam diversas vezes ao longo de seus caminhos.

Molly e Ryan se conheciam desde sempre, estudavam juntos e, a princípio, não tinham nada em comum – o que torna o romance no clássico e batido “os opostos se atraem”. Tímida e sempre munida de sua câmera fotográfica para eternizar os momentos, Molly se vê apaixonada pelo garoto bonito e popular do colégio, um promissor jogador de futebol.

Apesar dos pesares, eles acabam ficando juntos. O magnetismo entre os dois é tão forte que pouco tempo depois do início do namoro eles já partem para uma vida a dois, morando sob o mesmo teto. A nova rotina, entretanto, acaba mostrando que as mesmas diferenças que os uniram acabam por afastá-los com o passar dos anos. A sensação de ter pulado uma etapa bate à porta: eles se casaram cedo demais, compraram uma casa cedo demais, viraram adultos cedo demais. O “e se” não para de incomodar Molly, que acaba percebendo que essa não é a vida que sempre sonhou. Durante a leitura é preciso paciência com os conflitos existenciais de Molly, que sempre questiona o que deseja para a vida e o que tem.

“Ryan sempre pareceu o destino final para mim, o ponto de descanso. Ele foi meu primeiro destino, de modo que não viajei muito para encontrá-lo. Desde então, temos andado depressa em volta do tabuleiro do Banco Imobiliário da vida, perdendo as cartas da sorte e nos acomodando em uma casa no primeiro quarteirão onde caímos. […] E agora não posso deixar de pensar que, se ainda estou no tabuleiro do Banco Imobiliário, talvez seja hora de usar a carta de saída livre da prisão.”

Percorremos os altos e baixos do relacionamento e acompanhamos todas as batalhas enfrentadas para que os protagonistas fiquem juntos. Ali Harris pecou ao definir acontecimentos clichês na história de seus personagens, e talvez por isso optou por uma narrativa em primeira pessoa e não linear, com capítulos curtos sobre o presente e um eterno vai e vem de memórias para prender o leitor. Não bastasse essa narrativa anacrônica, outro destaque está no que determina cada relato: a autora usa os beijos como ponto central da narrativa, algo um tanto inusitado na literatura. O primeiro beijo, o de despedida, o de concessão e tantos outros que são comuns na vida de um casal, tornando impossível que o leitor não se identifique com pelo menos alguns deles. A partir deles e de uma introdução sobre cada um é que a história se desenvolve, e, apenas ao final, compreendemos o porquê de ela ser construída assim.

O fato de Ali Harris ter escrito para diversas revistas femininas inglesas e inclusive ter sido editora da Glamour colaborou para a sua escrita, onde ela retrata com bastante sentimentalismo a vida dos personagens, mas às vezes, infelizmente, pesa a mão em algumas futilidades. Por muitas vezes, Molly soa mimada, insegura, ingrata, além de objetificar as características físicas de Ryan.

Vale dizer que mais do que uma história de amor e de um casal lutando para vivê-lo, “O Primeiro Último Beijo” é também uma história de autodescoberta, de uma mulher batalhando por manter sua individualidade e personalidade, tentando aliá-la ao seu relacionamento.

“Às vezes precisamos perder alguém que amamos para perceber exatamente o que temos. Claro que o ideal é nunca perder, mas isso nem sempre é tão fácil, não é querida?”

O leitor acompanha todas as dúvidas de Molly, que por muitas vezes são superficiais, algo que às vezes irrita, e suas inúmeras tentativas de não se perder nos sonhos e, sobretudo, de não perder seu amor por Ryan. Por fim, a obra é indicada àqueles que gostam de romances na mesma linha que “PS: Eu te amo” e “Um dia”. Não espere grandes atitudes dos personagens e nem se importe com finais abruptos e bem sentimentais.

448 páginas, Editora Record (Verus), publicado em 2016.
Título original: “The Last First Kiss”.
Tradução: Sandra Martha.

Aline Lima é formada em Publicidade e Propaganda e colaboradora de diversas áreas no Potterish.

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Categorias: Aline Lima, Seção Granger
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