Seção Granger: “Nunca Jamais”, de Colleen Hoover e Tarryn Fisher

//Por Pedro Martins - domingo, 06 de março de 2016 às 19:30

Neste domingo de Seção Granger, Renato Augusto Ritto, tradutor do Potterish e estudante de Editoração pela USP, escreve sobre “Nunca Jamais”, lançamento da Editora Galera Record escrito pelas aclamadas Collen Hoover e Tarryn Fisher

“Aparentemente, ‘Nunca Jamais’ é apenas mais um romance adolescente bobo, e você pode encarar dessa forma se quiser. Existe, sim, uma boa quantidade de amor meloso, apaixonado e grudento. Entretanto, o livro traz muito mais além disso.”

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”Nunca Jamais”, de Colleen Hoover e Tarryn Fisher
Resenha crítica por Renato Augusto Ritto

“Nunca Jamais” conta a história de Silas e Charlie, dois adolescentes que de repente não lembram mais nada de suas próprias vidas: quem são, de onde vêm, para onde vão – tudo é um grande mistério. A única coisa que eles têm certeza é de que se conhecem e estudam na mesma sala, já que é nela que “acordam”. Em um primeiro momento, Silas e Charlie vão tentar desesperadamente se lembrar de qualquer momento de suas vidas, mas será inútil. Eles devem descobrir quem são, por que se esqueceram de tudo e o que devem fazer para recuperar sua memória.

Aparentemente, “Nunca Jamais” é apenas mais um romance adolescente bobo, e você pode encarar dessa forma se quiser. Existe, sim, uma boa quantidade de amor meloso, apaixonado e grudento. Entretanto, o livro traz muito mais além disso.

Os personagens de “Nunca Jamais” são bastante profundos e sua narrativa é alternada entre as visões de Charlie e de Silas. Eu costumo não gostar muito de livros narrados por pontos de vista diferentes, porque isso denuncia um problema muito grande dos autores, que é não saber diferenciar o pensamento de dois personagens diferentes. É muito complexo narrar bem em primeira pessoa (por mais que esse seja o lugar confortável da escrita), mas ainda mais difícil é construir o pensamento de dois personagens diferentes, visões de mundo diferentes e interpretações de fatos diferentes narrando a mesma história. A premissa piora quando o gênero narrado não é o dos autores do livro (porque costuma ficar um ponto de vista muito plástico e pouco apurado), como acontece com Silas nesse livro: ele é homem, mas foi escrito por duas mulheres.

Porém, tudo é muito bem feito. Silas age como Silas, e é perceptível (não só pela abertura de capítulo) que o narrador mudou quando Charlie começa a narrar. Percebi mais de uma vez que não havia lido a abertura de capítulo, mas que o narrador mudara, pela mudança nas tomadas de atitude e nos pensamentos, que muitas vezes são completamente avessos. Silas é crível, nada plástico e muito bem apresentado com todos os seus conflitos, muitos comuns à adolescência. Charlie também é muito bem pensada, elaborada e verossímel.

Outro ponto muito forte desse livro é a rapidez com que as coisas acontecem e a fluidez dos capítulos. Li a trilogia toda em inglês e demorei por volta de um dia para completar a leitura de cada volume. São muito rápidos, instigantes e empolgantes, e fazem que você os devore em questão de horas. Agora, a Editora Galera Record os está publicando no Brasil, e pretendo escrever uma resenha crítica para os dois volumes seguintes conforme seus lançamentos acontecerem.

192 páginas, Editora Galera Record, publicado em 2015.
Título original: “Never Never”.
Tradução: Priscila Catão.

Renato Augusto Ritto é tradutor do Potterish, estudou Letras e estuda, atualmente, Editoração, ambos os cursos pela Universidade de São Paulo.

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