Seção Granger: “A Bela e a Adormecida”, de Neil Gaiman

//Por Pedro Martins - domingo, 13 de março de 2016 às 19:13

”Seja a dona da sua história, não importa qual ela seja”. É com essa frase que Aline Lima, formada em Publicidade e Propaganda e colaboradora do Potterish, estreia na Seção Granger com o pé direito. O livro deste domingo é “A Bela e a Adormecida” (Rocco Jovens Leitores), releitura do conto de fadas escrita pelo consagrado Neil Gaiman.

“Se eu fosse você, não perderia a chance de mergulhar novamente nesse conto clássico, mas agora sob uma visão moderna e por que não ‘empoderadora’? “A Bela e a Adormecida” abre portas para um novo cenário de histórias, onde mulheres podem ser o que elas bem entenderem. Seja para o seu próprio bem ou mal.”

Para ler a resenha crítica na íntegra, acesse a extensão do post.

“A Bela e a Adormecida”, de Neil Gaiman
Resenha crítica por Aline Lima

Seja a dona da sua história, não importa qual ela seja.

Em “A Bela e a Adormecida”, a nova versão de contos de fadas de Neil Gaiman com ilustrações de Chris Riddell, aprendemos que mulheres (até mesmo as delicadas princesas) devem ser donas de suas próprias escolhas e não depender do apoio masculino para isso.

Tudo começa quando os anões, que já conhecemos do clássico “Branca de Neve e os Sete Anões”, estão à procura de um tecido belíssimo para confeccionar o vestido de casamento da Rainha. Durante a busca, eles ficam sabendo que uma maldição de sono (bem semelhante com a da história de “A Bela Adormecida”) tomou conta de diversos vilarejos e se aproxima cada vez mais do castelo da Rainha.

Ao saber de toda a história, a Rainha, que tem longos cabelos negros, pele branca e se assemelha muito à Branca de Neve, decide cancelar os preparativos do seu casamento para resolver essa tal maldição do sono. E é possível considerar esse ato como um escape para a Rainha, que está com casamento marcado, mas aparentemente em dúvida. Entendemos que o casamento e consequentemente filhos são coisas que todos esperam dela, mas ela não se sente confortável com essas imposições. Então, sem exitar, ela adia o casamento, veste a cota de malha, pega sua espada e parte em direção ao Leste a cavalo.

Um grande ponto positivo deste livro é a criação do núcleo feminino, que representa 100% da história. As personagens de Gaiman fogem totalmente do esteriótipo das histórias tradicionais. Ao invés de continuar fadada ao seu casamento e ordenar que outros façam o seu trabalho, a Rainha é dona das suas próprias escolhas e parte em busca de uma solução.

“Não tenho paciência com histórias em que mulheres são resgatadas por homens. Você não precisa ser salvo por um príncipe” – Neil Gaiman.

Lançado em 2015 no exterior e também no Brasil pelo selo Jovens Leitores da Editora Rocco, “A Bela e a Adormecida” foi duramente criticado por suas mudanças significativas de enredo, principalmente pelo beijo que acorda a Bela Adormecida. Aqui, Branca de Neve é a responsável pelo beijo, e o mundo parou por conta disso. Muitos condenaram Gaiman por “tirar a inocência de uma história infantil”, por falta de criatividade para criar uma nova história e “estragar a original”. Na verdade, a cena é bem bonita e significativa para a narrativa. Apesar de vários príncipes terem tentado desfazer a maldição e salvar a donzela, Branca de Neve, com a sua determinação e bravura, foi a única a conseguir atravessar as roseiras cheias de espinhos e as diversas armadilhas até a torre onde Bela estava adormecida.

Se eu fosse você, não perderia a chance de mergulhar novamente nesse conto clássico, mas agora sob uma visão moderna e por que não “empoderadora”? “A Bela e a Adormecida” abre portas para um novo cenário de histórias, onde mulheres podem ser o que elas bem entenderem. Seja para o seu próprio bem ou mal.

Um ponto que merece ser ressaltado é o fato de a Editora Rocco ter lançado o livro no Brasil seguindo o projeto gráfico original. Felizmente, os leitores brasileiros são brindados com uma edição belíssima e de alta qualidade, com direito a capa dura, sobrecapa de papel transparente e todas as ilustrações (magníficas, diga-se de passagem) em preto, branco e dourado.
Perca-se também nessa leitura e depois volte para me contar o que achou!

70 páginas, Editora Rocco (Jovens Leitores), publicado em 2015.
Ilustrações: Chris Riddell.
Título original: “The Sleeper and the Spindle”.
Tradução: Renata Pettengill.

Aline Lima é formada em Publicidade e Propaganda e colaboradora de diversas áreas no Potterish.

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Categorias: Aline Lima, Editoras, Livros, Seção Granger
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