Harry Potter e a Magia Arcana

//Por Luiz Guilherme - sexta-feira, 05 de fevereiro de 2016 às 16:00

Quando se fala em magia, dentro ou fora do universo de “Harry Potter”, costumamos despertar paixões e longos debates. Ocultismo, bruxaria, rompimentos de valores tradicionais… Tudo isso costuma ser associado à magia em geral, e justamente por isso, “Harry Potter” foi proibido em várias bibliotecas e escolas conservadoras mundo afora.

Ocorre que, nesta sexta-feira de carnaval, nós do Potterish tiraremos você do samba de todos os anos para ler uma coluna escrita por alguém que conhece o tema profundamente. Nosso colunista Joaquim Rodrigues nos fala hoje sobre magia num post repleto de novos conceitos, cuja leitura, estou certo, lhe engrandecerá. Não deixe de ler e comentar!

“Assim como os bruxos de J.K. Rowling, os magos da vida real buscam no estudo, nos exercícios e treinamentos compreender todo o trajeto feito por estas energias. ‘Por que estas palavras mágicas realizam tal efeito?’, ‘Qual a composição desta poção?’, ‘O que devo fazer para manipular este fluído?’, ‘Como posso viajar para minhas memórias passadas?’… São algumas das perguntas realizadas pelo estudante arcano.”

Por Joaquim Rodrigues

Apesar de bem diferente do apresentado no Mundo Mágico de J. K. Rowlling, muitos sabem que vários estudos e religiões existentes pelo mundo trabalham com estas forças cujos praticantes acreditam e chamam de “Magia”. Mas até que ponto a ficção pode parecer com os estudos da vida real? É aqui que falarei sobre a Magia Arcana, cujos ramos mais conhecidos são o Hermetismo, a Alquimia e a Física Quântica.

Desde os povos pré-históricos é encontrada a prática de atividades de fundos religiosos que lidariam com fenômenos além da nossa compreensão, porém, foi só na Idade do Ouro que seus praticantes ficaram mais reconhecidos pelo termo “bruxo”.

Mais conhecidos das civilizações grega (onde talvez tenha surgido a primeira deusa da bruxaria, Hécate), nórdica, germana e celta, bruxos sempre são conhecidos pelo seu contato profundo com deuses e com as forças da natureza, semelhante aos feiticeiros de fundo mais tribal como xamãs e sacerdotes egípcios, porém se diferenciavam destes pelo justo avanço de suas sociedades. Com a evolução do ser humano, a magia também evoluía e ganhava leis, rituais, grupos e feitiços mais organizados. Surgiam as primeiras formações religiosas (embora por povos como os celtas estas práticas fossem vistas de maneira tão natural que sequer ganhavam alguma “etiqueta”), as primeiras tradições, grimórios… Mas… Nada disso se parece com “Harry Potter”, não é?

Nossos bruxos da saga não seguem deuses, não fazem rituais, nem criam tradições ou famílias de magia. Então, onde estaria a semelhança?

Apesar de já existir desde estes tempos em menor intensidade (como no meio da civilização romana), sempre houve um segundo tipo de magia, que se não se opunha à bruxaria, mas a completava. Mas apenas com o fim da perseguição cristã ela viria a se tornar mais aberta e estudada. O aspecto científico, lógico, racional do ocultismo: a Magia Arcana. A magia praticada pelos magos.

Poções, elixires, o controle dos elementos, o estudo das criaturas mágicas, das palavras, a busca pela compreensão de como funciona cada ato mágico são algumas das coisas que diferenciam essa linhagem. E são todas coisas que vemos em “Harry Potter”.

Enquanto a bruxaria, que podemos chamar de “Linhagem de Morgana”, está mais conectada com a prática de rituais, pedidos e oferendas aos deuses, uso de vários símbolos (como velas, incensos etc) e de feitiços e encantamentos passados de geração em geração, na qual muitos nem saberiam explicar como funcionam, o que leva aquele gesto a ocasionar tal reação, a Magia Arcana segue o contrário.

Também chamada de “A Linhagem de Merlin”, ela busca por meio da alquimia, de estudos científicos e experimentos astrais e mentais, descobrir e dominar essas fontes de energia. Focar no poder pessoal do indivíduo e na sua própria capacidade de realizar magia, sem o auxílio de divindades ou ensinamentos secretos de explicação desconhecida.

Assim como os bruxos de J.K. Rowling, os magos da vida real buscam no estudo, nos exercícios e treinamentos compreender todo o trajeto feito por estas energias.

“Por que estas palavras mágicas realizam tal efeito?”, “Qual a composição desta poção?”, “O que devo fazer para manipular este fluído?”, “Como posso viajar para minhas memórias passadas?”… São algumas das perguntas realizadas pelo estudante arcano.

Em resumo, a bruxaria busca o resultado, sem se preocupar em compreender como ele se dá. Através de poder próprio ou de divindades, seus praticantes realizam atividades mágicas em busca de atingir um objetivo e se contentam apenas com isso. É uma magia simples e com um fundo religioso intenso.

Por outro lado, a Magia Arcana é um verdadeiro estudo. O mago é um cientista que busca a origem e o trajeto de cada energia, de cada resultado. Que estuda, pratica, experimenta cada descoberta em busca de fortalecer seu poder pessoal, de realizar seus próprios trabalhos mágicos. Ele não abre mão de uma boa varinha, mas valoriza acima de tudo o conhecimento.

Conhecimento. Magia. Escola. Hogwarts!

Espero ter sido bem claro. Quando se fala de magia, não só pela complexidade do assunto mas também pelo preconceito e falta de informação ainda existe, acaba se tornando sempre uma tarefa complicada.

Mas, caso algo tenha ficado confuso ou você, leitor, tenha outras opiniões ou algo a acrescentar, eu adoraria que fizesse isso nos comentários!

Sou Joaquim Rodrigues, aprendiz de bruxo desde os dezesseis anos. Porém que, apesar de não ter deixado seu amor pelos deuses e a simplicidade da bruxaria, mergulhou de cabeça no universo arcano e se tornou um feiticeiro híbrido (ou uma aberração aos olhos de muitos… hehehe…).

Até a próxima! Se não me demitirem!

Este editor pede tranquilidade a todos: Joaquim Rodrigues não será demitido e escreverá outras colunas tão fantásticas quanto esta.

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