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J.K. Rowling se sente “enganada e irritada” com a oposição de David Cameron ao Inquérito Leveson
//Por Gabriel Guimarães - domingo, 02 de dezembro de 2012 às 18:07

O Inquérito Leveson, que recomenda a criação de uma nova autoridade de regulação da mídia britânica e critica a desordem entre políticos, policiais e jornalistas, estão causando divergências dentro do governo inglês.

E, agora, um novo político opositor ao inquérito surgiu: o primeiro-ministro do Reino Unido e líder do Partido Conservador, David Cameron, que, desde o começo, apoiou boa parte das conclusões do relatório, mas mostrou-se contra a criação de novas leis ao discursar recentemente no Parlamento britânico.

No entanto, o vice-primeiro-ministro, Nick Clegg, não partilha da mesma opinião e se declarou a favor da criação de novas leis de regulamentação à imprensa britânica, e, pela primeira vez, discursou separado de Cameron sobre um mesmo tema no Parlamento.

O inquérito conta com o apoio de vários políticos, como o líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband, mas também conta com a desaprovação de outros políticos e de grande parte da imprensa britânica, que teme perder a liberdade que tem atualmente.

Esses conflitos referentes ao inquérito se formaram devido à principal proposta do relatório: a substituição do setor regulador da imprensa britânica, a Comissão de Queixas sobre a Imprensa (PCC, na sigla em inglês), que é ineficaz, por um novo setor, que, ao contrário do PCC, não será formado pelos próprios órgãos de comunicação.

O que mais preocupa os defensores do inquérito é que a posição de Cameron possa influenciar na opinião dos britânicos a respeito da criação de um novo setor regulador da imprensa – proposta que, de acordo com uma pesquisa do site YouGov, já tem o apoio de 79% da população.

O desencadeamento do Inquérito Leveson, proposto no fim do ano passado pelo juiz Brian Leveson, se deu pelo escândalo das escutas ilegais do jornal britânico News of the World, que fez com que os britânicos repensassem sobre a necessidade de reforço da regulação à imprensa.

E J.K. Rowling, que é publicamente a favor do inquérito e que prestou seu depoimento ao mesmo, relatando os episódios que sofreu de invasão de privacidade pela imprensa, entrou em uma campanha que pede a aprovação do Inquérito Leveson através de uma petição disponibilizada aos internautas, o Hacked Off.

Juntamente com o anúncio oficial do apoio à campanha, Jo escreveu uma declaração expressando toda sua indignação para com a posição tomada pelo primeiro-ministro britânico, que pode ser lido traduzido em notícia completa.

J.K. Rowling
Declaração de J.K. Rowling à resposta de David Cameron ao Leveson

Hacked Off – J.K. Rowling
30 de novembro de 2012
Tradução: Gabriel Guimarães

Eu me sinto enganada e irritada com a reação de David Cameron ao Leveson.

Se o primeiro-ministro não queria implantar o relatório, por que pessoas como eu foram convidadas para reviver nossas experiências dolorosas em público?

Estou alarmada e consternada devido ao fato de que o primeiro-ministro parece estar se afastando das garantias que ele fez no início do Inquérito Leveson.

Eu pensei longamente e arduamente sobre as possíveis consequências à minha família de eu dar provas e, finalmente, decidi fazer isso porque eu tenho feito todos os esforços possíveis para proteger a privacidade dos meus filhos no sistema atual – e falhei. Se eu, que posso pagar os melhores advogados, não posso garantir a privacidade das pessoas queridas por mim, que esperança os Dowlers, os McCnans e os Watsons têm de proteger os seus próprios filhos e os seus próprios bons nomes? Aqueles que sofreram os piores, mais dolorosos e menos justificáveis tipos de maus-tratos nas mãos da imprensa, pessoas que se tornaram interessantes publicamente por causa dos erros da própria imprensa ou através de uma indizível tragédia privada, são aqueles que são menos propensos a ser capaz de defender a si mesmos ou de procurar a reparação adequada.

O meu entendimento é que as recomendações do juiz Leveson dariam a todo mundo, qualquer que seja seu grau de celebridade ou seu saldo bancário, uma maneira rápida, barata e eficaz de obrigar a imprensa a prestar contas. Elas também protegem a imprensa contra reclamações frívolas e reduz ações judiciais dispendiosas. No momento, apenas aqueles de nós que podem arcar com os serviços caros, que consomem tempo e estressantes do sistema legal são capazes de tomar uma posição contra invasões sérias de privacidade, e mesmo isso oferece pouca ou nenhuma proteção contra as invasões de privacidade injustificáveis, insidiosas e muitas vezes clandestinas destacadas pelo Inquérito Leveson.

Sem embasamento legal as recomendações de Leveson não irão funcionar: vamos ser deixados com mais um sistema voluntário do qual a imprensa pode ir embora. Se o primeiro-ministro não queria mudar o sistema de regulamentação, até mesmo para o de moderação, medida equilibrada e proposta pelo juiz Leveson, eu estou custando a entender por que tanto dinheiro público foi gasto e por que tantas pessoas foram convidadas a reviver episódios extremamente dolorosos na bancada em frente a milhões de pessoas. Tendo levado as garantias de David Cameron na boa-fé desde o início do inquérito que ele montou, eu sou apenas uma entre muitos que se sentem enganados e irritados por sua decisão.

Eu espero que aqueles que partilham de preocupações semelhantes falem agora e assinem a petição Hacked Off. Cameron disse que iria implementar recomendações sensatas: está na hora de ele honrar esse compromisso e se juntar a outros líderes políticos que apoiam completamente as recomendações de Leveson.

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Categorias: Capa, JK Rowling, Notícias em Destaque




Comentários
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kamila | domingo, 02 de dezembro de 2012

Orgulho dessa mulher.


Lucas | domingo, 02 de dezembro de 2012

J.K ROWLING PARA PRIMEIRO MINISTRO!


Fabiana | domingo, 02 de dezembro de 2012

a Jo foi sensacional,ela debate muito bem,os argumentos dela são de total coerência e são válidos,orgulho da Jo sempre.



Rodrigo Slytherin | segunda-feira, 03 de dezembro de 2012

Completamente certo o posicionamento da Jo sobre o assunto. A imprensa britânica precisa de limites.


pri | segunda-feira, 03 de dezembro de 2012

quando ela diz “watsons” ela se refere a familia da Emma?


Bella | terça-feira, 04 de dezembro de 2012

Não, Pri, tem vários “Watsons” no Reino Unido.



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