O Inquérito Leveson, que recomenda a criação de uma nova autoridade de regulação da mídia britânica e critica a desordem entre políticos, policiais e jornalistas, estão causando divergências dentro do governo inglês.
E, agora, um novo político opositor ao inquérito surgiu: o primeiro-ministro do Reino Unido e líder do Partido Conservador, David Cameron, que, desde o começo, apoiou boa parte das conclusões do relatório, mas mostrou-se contra a criação de novas leis ao discursar recentemente no Parlamento britânico.
No entanto, o vice-primeiro-ministro, Nick Clegg, não partilha da mesma opinião e se declarou a favor da criação de novas leis de regulamentação à imprensa britânica, e, pela primeira vez, discursou separado de Cameron sobre um mesmo tema no Parlamento.
O inquérito conta com o apoio de vários políticos, como o líder do Partido Trabalhista, Ed Miliband, mas também conta com a desaprovação de outros políticos e de grande parte da imprensa britânica, que teme perder a liberdade que tem atualmente.
Esses conflitos referentes ao inquérito se formaram devido à principal proposta do relatório: a substituição do setor regulador da imprensa britânica, a Comissão de Queixas sobre a Imprensa (PCC, na sigla em inglês), que é ineficaz, por um novo setor, que, ao contrário do PCC, não será formado pelos próprios órgãos de comunicação.
O que mais preocupa os defensores do inquérito é que a posição de Cameron possa influenciar na opinião dos britânicos a respeito da criação de um novo setor regulador da imprensa – proposta que, de acordo com uma pesquisa do site YouGov, já tem o apoio de 79% da população.
O desencadeamento do Inquérito Leveson, proposto no fim do ano passado pelo juiz Brian Leveson, se deu pelo escândalo das escutas ilegais do jornal britânico News of the World, que fez com que os britânicos repensassem sobre a necessidade de reforço da regulação à imprensa.
E J.K. Rowling, que é publicamente a favor do inquérito e que prestou seu depoimento ao mesmo, relatando os episódios que sofreu de invasão de privacidade pela imprensa, entrou em uma campanha que pede a aprovação do Inquérito Leveson através de uma petição disponibilizada aos internautas, o Hacked Off.
Juntamente com o anúncio oficial do apoio à campanha, Jo escreveu uma declaração expressando toda sua indignação para com a posição tomada pelo primeiro-ministro britânico, que pode ser lido traduzido em notícia completa. |
Orgulho dessa mulher.