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Dumbledore: uma quase-mobília de Hogwarts
//Por Sheila Vieira - domingo, 12 de agosto de 2012 às 12:57

Alvo Dumbledore é um dos personagens mais complexos de ‘Harry Potter’, principalmente pela sua relação com as pessoas, sejam Harry, Snape, Hagrid, Voldemort ou até mesmo sua família. Porém, nunca se pode esquecer a dedicação do diretor com Hogwarts.

Igor Ferreira analisa o comando de Dumbledore à frente da escola. Entendendo os limites da ousadia e da disciplina, a segurança e a palavra certa. Leia a coluna e deixe seu comentário!

por Igor Ferreira

A grande maioria dos fãs que veneram a figura controversa de Alvo Dumbledore, muitas vezes pega-se discutindo assuntos como a genialidade do grande mestre, os seus diversos problemas familiares, a relação tumultuada com Gerardo Grindelwald, seus gostos excêntricos e sua suposta homossexualidade. No entanto, pelo que percebo, muitos deixam de observar (ou se observam, deixam de discutir) um assunto fundamental e que me salta os olhos em todo decorrer da saga: a estreita relação entre Hogwarts e o professor Dumbledore.

Bruxos mais, digamos, desinteressados, contam a passagem por Hogwarts como mais um mero período da vida. Já que todos tem que ir pra escola, fazer o que, né… Outros, entretanto, acabam se apegando de tal forma aos encantos sutis do castelo que dedicam quase que suas vidas inteiras, abdicando de gozos pessoais, para servir a nobre arte de ensinar. Ninguém, entretanto, como o próprio Hagrid diz, fez tanto por Hogwarts como Alvo Dumbledore.

Após uma série de eventos desastrosos, culminando com a morte de Ariana e o afastamento de Aberforth, o passado de Dumbledore é incerto. As páginas de Rowling nada nos dizem sobre o período de trinta e nove anos que se passa entre os trágicos acidentes de Godric’s Hollow e o retorno de Alvo a Hogwarts, já como um saudoso professor de transfiguração. Podemos e devemos imaginar o que Dumbledore fez nesse meio-tempo, mas isso não vem ao caso agora. O que vale analisar é que, uma vez de volta à escola, Dumbledore se dedicou como nunca a preparar uma geração inteira de novos bruxos e, para isso, empreendeu uma política de que não há referências passadas. Alvo buscou resgatar jovens bruxos que, de uma forma ou outra, haviam sido distanciados do mundo em que deveriam viver, sendo o exemplo mais notório disso (e talvez o maior erro de um Dumbledore que confia sempre no melhor das pessoas) a empreitada que levou Tom Riddle até Hogwarts.

Humilde e determinado, Dumbledore se dedicou de corpo e alma ao papel de professor, produzindo resultados notáveis. Para se ter uma ideia, ele foi responsável por conduzir a educação de sua brilhante sucessora, Minerva McGonagall, que só deixou o cargo de professora de transfiguração para se tornar diretora de Hogwarts. No mais, passaram pelas mãos de Dumbledore, Lorde Voldemort, Severo Snape, Lílian Evans, Remo Lupin, entre outros que se tornaram bruxos memoráveis.

Dumbledore seguiu firme nos seus princípios, o que lhe valeu, após a morte do então diretor Armando Dippet, o confortável gabinete com entrada no sétimo andar. Foi o cargo que ocupou até sua morte, sempre prezando pelo bem de Hogwarts e de seus estudantes. E que fique a ressalva de como os estudantes de Hogwarts eram importantes para Dumbledore. Em Harry Potter e o Enigma do Príncipe, por exemplo, fica claro como a mera insinuação feita por Harry sobre a falta de segurança para com a segurança dos estudantes nas ausências de Dumbledore causam aborrecimento no diretor. Novamente em A Ordem da Fênix, quando Dolores Umbridge se descontrola e quase agride Marieta Edgecombe, Dumbledore se interpõe de forma sagaz, de varinha em punho e, firme, se dirige à professora: “Não posso permitir que você brutalize os meus estudantes, Dolores – disse Dumbledore e, pela primeira vez, pareceu aborrecido.”

Parece até que me perdi da linha inicial que resolvi traçar sobre como Dumbledore acaba se confundindo com a mobília da escola, mas, aproveitando o gancho do parágrafo anterior e ainda falando de Dolores Umbridge, lembro-me agora de uma passagem fundamental para ilustrar a sintonia entre Dumbledore e Hogwarts. Quando Alvo Dumbledore deixa a diretoria devido ao enorme complô que se estabelecia ao seu redor e Umbridge é nomeada para sucedê-lo no cargo, a sala do diretor, creio que representado a fidelidade de Hogwarts, se fecha a sua suposta nova ocupante e assim fica até a volta de seu digno merecedor. É como se Hogwarts reconhecesse que lhe faltava uma parte e que este pedaço estava prestes a voltar, a qualquer momento.

O todo reconhecendo a parte, mas uma parte que jura não reconhecer o todo por completo. Dumbledore demonstra traços da humildade verdadeira e de sua inexistente arrogância ao assumir não conhecer todos os segredos de sua escola. Em Harry Potter e o Cálice de Fogo ele faz uma declaração engraçadíssima ao professor Karkaroff sobre uma sala cheia de penicos que talvez só aparecesse às cinco e meia da manhã, com a lua em quartil ou quando quem procura está com a bexiga excepcionalmente cheia. Sinceramente não creio que Dumbledore desconhecesse a existência da Sala Precisa ou que ele estivesse, aos 115 anos, muito longe de entender Hogwarts por completo, afinal, como o próprio Voldemort diz ainda bem jovem e Harry Potter reforça aos onze anos, Dumbledore foi permanentemente onisciente de tudo que acontecia por ali.

“Ele é um homem engraçado, o Dumbledore. Acho que meio que queria me dar uma chance. Acho que sabe mais ou menos tudo o que acontece por aqui, sabe?”

Mesmo depois da morte, Alvo Dumbledore permaneceu como parte interina de Hogwarts, repousando eternamente nos jardins serenos da propriedade. O professor, com seus oclinhos de meia-lua apoiados desengonçadamente sobre o nariz torto, marcou a história da escola e, sem dúvidas, é impossível não lembrar Hogwarts sem pensar na figura esguia de cabelos e barbas prateados postada no Grande Salão para receber, ano pós ano, de braços abertos, os jovens que ele tanto estimava. Por isso, mais uma vez, reforço minha ideia inicial de um Dumbledore que foi, é e sempre será algo tão permanente naquela escola quanto as pedras que sustentam o castelo.

Igor Ferreira adora picolé de limão.

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Categorias: Caricaturas, Colunas, Igor Ferreira, Notícias em Destaque




Comentários
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Harry James Potter | domingo, 12 de agosto de 2012

Dumbledore realmente é um personagem que, ao pensar em Hogwarts, não conseguimos não lembrar dele, por que simplesmente ele faz parte da história de uma das melhores escolas de magia e bruxaria!

Sem Dumbledore, os anos de Harry na escola não teriam sido o mesmo, se analizarmos, não é mesmo?


Felipe | domingo, 12 de agosto de 2012

Não tem como se esquecer de Dumbledore, mesmo após sua morte ele parece estar presente ali em algum lugar, só aguardando para confortar alguém com suas ótimas palavras, como se diz o sábio diretor “Hogwarts sempre ajudará aqueles que a ela recorrem.”. É Dumbledore sempre será uma parte de Hogwarts. Parabéns Igor, como sempre, ótimo texto.


Vinicius | domingo, 12 de agosto de 2012

Uau, lindo texto!
Impressionante a sua ligação de última hora, porém rápida e direta, do texto com o título!
Parabéns!


Bella | segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Essa coluna tem alguma coisas haver com a do Mugglenet?


Gleiry Yuri | segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Nem precisei ler mais nada além do título para saber que essa coluna era do Igor xD
Dumbledore realmente faz parte de Hogwarts, tanto que depois de Godric’s Hollow a tia Jo só volta a mencionar ele, como já disse, em Hogwarts. Muito legal! Parabéns!
Ah.. e ia me esquecendo: “Igor Ferreira adora picolé de limão.” KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK Dessa eu não sabia, Igor. xD


Camys | segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Dumbledore é a mente mais brilhante e o maior herói da saga. Ele arquitetou tudinho. Não dá pra imaginar Hogwarts sem ele. Ele e Hogwarts são uma coisa só! ;)


LLovegood | segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Acho legal que escrevam sobre personagens famosos, mas lembrem-se de que existem outros…


Dumbledore | terça-feira, 14 de agosto de 2012

Dumbledore é, obviamente, o meu personagem preferido de toda a série. Eu ansiava por suas falas a cada livro que lia. Por isso, preciso “defendê-lo” dessa frase:

“Alvo buscou resgatar jovens bruxos que, de uma forma ou outra, haviam sido distanciados do mundo em que deveriam viver, sendo o exemplo mais notório disso (e talvez o maior erro de um Dumbledore que confia sempre no melhor das pessoas) a empreitada que levou Tom Riddle até Hogwarts.”

Eu realmente não acredito que levar Riddle para Hogwarts foi “erro” de Dumbledore. Primeiro porque, precisamos nos lembrar disso antes de mais nada, Dumbledore não era diretor quando Riddle chegou a Hogwarts. Então, como “simples” professor, não caberia a ele escolher quem entraria e quem ficaria de fora. Segundo porque, mesmo que ele fosse diretor, não acredito que os alunos da escola fossem meramente “selecionados” por ninguém que fosse. De acordo com o que eu entendi da série (se é que entendi alguma coisa), as crianças que nasciam bruxas (quer fossem de famílias bruxas, como Rony e Harry, ou de famílias completamente trouxas, como Hermione) tinham seus lugares na escola garantidos por uma espécie de contrato mágico. Algo como: nasceu bruxa, a escola “reconhece” (não que esta seja a melhor palavra) e inscreve a criança para a vaga automaticamente. Se não fosse assim, como que as crianças nascidas em famílias trouxas poderiam ser chamadas para Hogwarts?

Pra mim, a entrada na escola era algo do tipo “a magia da escola reconhece a magia nas crianças”. Se fosse por escolha de alguém, como alguém da escola descobriria Hermione? Por isso, considero errado dizer que um dos maiores erros de Dumbledore foi resgatar Tom Riddle para Hogwarts. Dumbledore não teve escolha. Tom Riddle estava “matriculado” em Hogwarts desde que nasceu. Ao Dumbledore coube apenas a tarefa de entrar em contato com ele. E, ainda assim, ele manteve os olhos abertos o tempo inteiro com o jovem Voldemort. Ele deixa muito claro para Harry, em EdP, que estava determinado a ficar de olho em Riddle, pois sentia algo de muito estranho no rapaz.


Harry James Potter | terça-feira, 14 de agosto de 2012

Quando eu estava lendo a coluna, percebi que algo estava errado em relação ao “erro” do Dumbledore quanto ao Riddle… quando li a sua resposta, Dumbledore, percebi qual era o erro. Parabéns pelo análize!


Yuri Santos (ou Aluado) | terça-feira, 14 de agosto de 2012

Concordo com o Dumbledore, não foi um erro. E esse texto, mesmo com esse erro, foi uma das coisas mais lindas que li ultimamente. agradeço ao autor por ele.


Guilherme Alcântara | terça-feira, 14 de agosto de 2012

Adorei!


Patrícia Diniz Ferreira | terça-feira, 14 de agosto de 2012

Adorei!!! :D Também acredito que Dumbledore não tenha errado ao levar Tom para Hogwarts… Isso foi fundamental para a história como um todo, ora, ele era um bruxo como outro qualquer com os mesmos direitos, apesar de não ser uma pessoa boa mais futuramente!


Igor Ferreira | quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Dumbledore, analisando bem, concordo com você. Eu me posicionei mal nesse período. É claro que toda criança bruxa, ao ver do Dumbledore, deveria frequentar Hogwarts e receber todos os ensinamentos de magia. O que eu quis passar, e talvez não tenha conseguido com a clareza necessária, foi essa lado de confiar muito nas pessoas que o Dumbledore tinha e o monstro que aflorou ainda mais em Tom Riddle após sua entrada em Hogwarts. Mas obrigado pelo toque, serei mais cauteloso com as palavras a partir de agora… xD


Rodrigo Arturo Black | quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Nossa, demais!
Não vou falar de Dumbledore, porque não tenho tempo (horas) agora. Mas quero deixar meus parabéns pela ótima coluna. Incrível como você foi passeando de um parágrafo ao outro… Realmente muito boa.


Dumbledore | domingo, 19 de agosto de 2012

Obrigado, Igor e os demais colegas que responderam aos meus comentários. A intenção não foi ser chato ou inconveniente. Quis apenas promover um bate-papo mesmo, uma argumentação saudável. Não poderia deixar de fazê-lo, sendo Dumbledore quem é pra mim: simplesmente o melhor personagem de toda a série. Adoro-o desde que entrou na história, passando por cada aparição sua, até a sua incrível morte e tudo o que ainda veio depois dela.



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