Pottermore e o direito de escolha

//Por Luiz Guilherme - domingo, 01 de julho de 2012 às 15:30

Pelos quatro cantos do mundo, cada fã de Harry Potter teve vontade de ingressar no Pottermore assim que o site foi lançado, em 2011. Dentre todas as experiências do site, uma das mais aguardadas foi, sem dúvidas, a seleção para uma das quatro Casas de Hogwarts.

Nossa colunista Nilsen Silva conta sobre sua experiência com o Chapéu Seletor no Pottermore, e discute o direito – tal como Harry teve – de escolher a Casa da qual faria parte – ou aquela na qual não queria estar. Leia a coluna e não se esqueça de registrar sua opinião e contar qual é a sua Casa em Hogwars!

por Nilsen Silva

Depois de oito meses na ameaça, o Pottermore abriu suas portas para o público. A notícia não é exatamente uma novidade para mim: eu faço parte dos felizardos que conseguiram se cadastrar antes e participar da versão beta. Uma pena que a minha experiência não foi tão… agradável assim. E todo por culpa da casa em que caí.

Antes de mais nada, digo que valorizo a oportunidade de ter sido uma das primeiras a acessar o site e ficar por dentro do que estava acontecendo. O Pottermore é mesmo um site lindo e fantástico, e a proposta dele de interação entre fãs de todo o mundo por meio de um jogo-enciclopédia é sensacional. O problema é que eu acho que ele fugiu um pouco do discurso que tanto aprendemos na série sobre ter a chance de escolher.

Quando fiz a seleção pela primeira vez, fui parar na Lufa-Lufa, casa dos que são pacientes, leais, justos e que não têm medo da dor. Fiquei chateada logo de cara e parei de jogar. Eu queria Corvinal. Minha sede de conhecimento, meu amor aos livros e minha paixão por escrever falavam mais alto. Eu sou medrosa e intolerante. Podem perguntar para quem me conhece, eles vão confirmar. Sou a Rainha da Impaciência. Eu tinha respondido o teste com toda a sinceridade do mundo, mas ele não atingiu às minhas expectativas e me mandou para um lugar ao qual eu achava não pertencer. E aí?

Fui dominada pela esperança de poder voltar e mudar o resultado. Que nada. O Pottermore já tinha se encarregado da tarefa de salvar o jogo. Eu estava presa ali, a não ser que… fizesse outro cadastro. “É trapaça”, me disseram. “O Chapéu Seletor não mente”, me lembraram. Tudo bem, gente, eu li todos os livros mais de uma vez e também sei disso. Mas vocês se esqueceram daquela frase tão repetida pelo Harry em pensamento, naquele minuto em que ele passou sentado no banquinho na frente de todo mundo?

“Sonserina não, Sonserina não”. A chance de escolha tão comentada e explicada por Dumbledore. Harry quis, opinou e teve seu pedido realizado. Foi parar na Grifinória – e nós bem sabemos que esta foi a escolha certa.

Fiquei com aquilo na cabeça. Não quero Lufa-Lufa. E se eu vacilei em alguma questão? E se o Chapéu Seletor estiver quebrado? Eu queria ter outra chance, assim com o Harry teve. Uma pena que, para dar vida ao meu pensamento, tive que esperar alguns meses até o site abrir oficialmente, cadastrar outro e-mail e começar a aventura do zero.

Mas valeu a pena. Agora, o meu painel é azul-escuro e há uma águia bem bonita ao centro. Não gosto de conformismos. Se estou falando de Harry Potter, participando de algo que me dá a oportunidade de vivenciar um pouco do mundo bruxo, quero sentir isso o mais dentro da minha pele possível. Se eu estivesse indignada com os abusos de autoridade da Umbridge, também teria entrado na Armada de Dumbledore. Se eu achasse que Sirius era inocente e tivesse a oportunidade de ajudá-lo, gosto de pensar que eu faria isso. E se minha opinião não batesse com a do Chapéu Seletor, por que eu me calaria?

Portanto, se você acha que foi mandado para a casa errada, não se intimide: faça outro cadastro, sim, e tente entrar na casa que você quer. Mas seja sincero nas suas respostas, como eu fui. Não sei se a versão beta estava com problema, se eu estava distraída ou se, sei lá, alguém lançou um Confundus em mim e me fez responder tudo de um jeito diferente.
O que importa é que eu estou feliz e ansiosa para ganhar cada vez mais pontos para a casa do meu coração.

Nilsen Silva promete: se depender dela, este ano a Taça das Casas é da Corvinal.

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