O atlas do tempo

//Por Sheila Vieira - domingo, 01 de abril de 2012 às 12:08

No meio de diversas séries juvenis lançadas nos últimos anos, “Os Livros do Princípio”, de John Stephens, certamente está entre os melhores. O escritor norte-americano mostra em “Atlas Esmeralda” uma narrativa que empolga e emociona, com uma grande protagonista envolta em mistérios.

Com apenas quatro anos de idade, Kate prometeu cuidar dos dois irmãos, Michael e Emma, enquanto espera o incerto retorno dos pais. Quase sem querer, eles caem num mundo mágico que tem diversas pistas sobre seu passado e o que devem fazer para encontrar aquilo que mais desejam: uma família de verdade. Confira a resenha!


“Atlas Esmeralda”, de John Stephens

Tempo: para ler pouco a pouco em intervalos durante a semana
Finalidade: para ficar na ponta da cadeira
Restrição: para quem não gosta de longas descrições
Princípios ativos: magia, família, viagem no tempo, mitologia e juventude.

‘Kate – a voz era baixa e urgente – escute com muita atenção. Preciso que você faça uma coisa para mim. Preciso que mantenha o seu irmão e a sua irmã em segurança. Você entende? Preciso que mantenha o Michael e a Emma em segurança’.


A garotinha tinha apenas quatro anos de idade e foi acordada na véspera de Natal pela mãe com esse discurso. A partir desse dia, Kate, Michael e Emma estavam sozinhos: passaram por diversos orfanatos e nunca se adaptaram a nenhum deles, sempre com a esperança de que um dia seus pais voltariam.

Ao contrário de Harry Potter, Kate (a protagonista de “Atlas Esmeralda”) não sabia se seus pais estavam mortos ou vivos, por quê os deixaram e quem era o responsável por isso. Não havia um gigante como Hagrid para resgatá-los daquela realidade. Aos 14 anos de idade, Kate se sentia uma adulta, por tudo que fez para proteger seus irmãos desde que eles foram deixados.

Porém, “Atlas Esmeralda” é sim uma história de magia. Há um mundo desconhecido, com anões, elfos, lobos, gigantes, paisagens assustadoras e uma grande vilã. As crianças o descobrem através de um livro mágico em uma mansão. Por meio dele, Kate, Michael e Emma chegam cada vez mais perto sobre a verdade do que aconteceu com seus pais.

A trama de “Atlas” é complexa, mas na medida certa para o primeiro livro da série. Revela o suficiente para situar o leitor e deixá-lo curioso para descobrir mais. A principal mágica da história é a viagem no tempo, um recurso interessante que permite a cena mais emocionante do livro (que não vou contar, obviamente…).

Um dos grandes méritos de John Stephens é a boa construção dos personagens principais. Kate é extremamente verossímil em sua maturidade e simultânea vulnerabilidade. Michael é irritante em sua mania de estar sempre certo, mas aprende que o mundo real não é sempre tão perfeito como ele lê nos livros. Já Emma é adorável em sua teimosia e impulsividade.

Os personagens secundários, como Dr. Pyn e Gabriel, não são muito explorados neste volume, assim como a vilã Condessa, que lembra um pouco Dolores Umbridge em seu prazer de torturar e a negação da sua própria maldade. Contudo, fica claro que eles sabem muito mais do que querem contar a Kate, Michael e Emma.

O ponto alto do livro, no entanto, é a narração, que lembra a de Rowling na capacidade de entrar na mente do protagonista sem necessariamente apresentar tudo que acontece apenas por sua perspectiva. Stephens se mostrou em “Atlas” um belo aprendiz.

Resenhado por Sheila Vieira

295 páginas, Editora Objetiva, 2011.
Título original: The Emerald Atlas. 

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Categorias: Aventura, Resenhas, Sheila Vieira
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