Um soco no estômago

//Por Sheila Vieira - domingo, 18 de dezembro de 2011 às 13:00

A universidade é um período muito marcante para todos, não só pelo aprendizado acadêmico, mas também pela convivência com pessoas de cidades diferentes, com visões de mundo opostas e um senso de responsabilidade muito maior. Marcus, o protagonista de “Indignação”, teve dificuldades para lidar com tudo isso.

O jovem que sai do ambiente familiar e cômodo para viver novas experiências acaba se perdendo diante de tantos estímulos e repressões de um sistema educativo dos anos 50. Apesar da história se passar há bastante tempo, o autor Philip Roth consegue aproximar o leitor contemporâneo da narrativa de forma brilhante. Confira a resenha de “Indignação”.


“Indignação”, de Philip Roth

Tempo: para ler de um tiro só no fim de semana
Finalidade: para pensar
Restrição: para quem não gosta de longas descrições
Princípios ativos: educação, destino, universidade, anos 50, morte.

Você às vezes tem a sensação de que a vida está muito fácil? Muito cômoda, nos trilhos e determinada? Que não há possibilidade de exceder expectativas porque os seus pais estão muito próximos e parecem não querer que você seja “grande” (o que quer que isso signifique?). Talvez essa seja a sensação que aproxima o leitor de Marcus Messner, protagonista de “Indignação”, apesar da história se passar nos anos 50.

Marcus vivia em Newark, era um filho estudioso, aplicado e bem comportado de um açougueiro bastante rígido e uma mãe aparentemente passiva. Estudava numa pequena faculdade local e sentiu vontade de se libertar daquela rotina. Fez transferência para uma universidade maior, mas sofreu com sua inadequação diante do mundo.

Primeiramente, Marcus tem dificuldades para aceitar pessoas diferentes. Ele é um personagem tão ético, correto e ingênuo, que não consegue dialogar ou se relacionar com quem tem um estilo de vida menos regrado ou vê o mundo de forma oposta. Por isso, ele muda diversas vezes de quarto e desperta atenção do diretor da escola.

Numa das cenas mais notáveis do livro, Marcus justifica todas as suas ações e comportamentos através de grandes autores, dando uma aula de como os sistemas familiar e educacional inibem a independência e a originalidade dos jovens. Ele chega até a passar mal e recebe a visita de Olivia, a garota por quem está apaixonado.

Olivia é uma parte fundamental de “Indignação”, já que a aproximação dos dois mostra muito do caráter inexperiente de Marcus e como o amor pode funcionar melhor do que qualquer doutrina para o amadurecimento de alguém. O desenrolar do romance é o que traz a grande ação da obra, que não será revelada aqui para não estragar a leitura.

Um dos grandes autores contemporâneos, Philip Roth consegue relacionar em sua escrita diversos temas e trazê-los para o âmbito pessoal e emocional. Ao ler uma de suas obras, é impossível não parar e repensar as suas próprias escolhas. “Indignação” é um verdadeiro soco no estômago daqueles que simplesmente não conseguem se “encaixar”.

Resenhado por Sheila Vieira

171 páginas, Editora Companhia das Letras, 2009.
Título original: Indignation. Publicado originalmente em 2008.

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Categorias: Drama, Resenhas, Sheila Vieira
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