Os eternos contos de fada

//Por Sheila Vieira - domingo, 12 de junho de 2011 às 12:18

Provavelmente você da “Geração Harry Potter” chegou a pegar a época das fitas VHS da Disney. “Timão e Pumba”, “Rei Leão”, entre outros… Os tempos mudaram e começamos a ler livros menos inocentes como os de Rowling e filmes que tiram sarro dos contos de fada, como “Shrek”.

Porém, nós ainda podemos nos encantar com clássicos, como o que Luciana Zulpo nos apresenta hoje: “O Castelo Animado”, de Diana Wynne Jones. Leia a extensão e saiba mais!

“O castelo animado”, de Diana Wynne Jones

Tempo: para ler pouco a pouco em intervalos durante a semana
Finalidade: para ficar na ponta da cadeira
Restrição: sem contra-indicações
Princípios ativos: contos de fadas, infância, animação, cinema.

A jovem Sophie é a filha mais velha e isso significa problema.

Destinada a assistir a suas irmãs mais novas saírem pelo mundo, ela mesma deve ficar e cuidar da chapelaria de sua família. Sua sorte parece piorar ao cruzar com a Bruxa das Terras Desoladas, que a amaldiçoa transformando-a em uma velhinha. A partir daí, Sophie parte em uma jornada que a levará para dentro do bizarro Castelo andante de Howl, o charmoso mago devorador de corações e a um estranho acordo com o demônio de fogo Calcifer: ele quebrará sua maldição se ela descobrir qual a relação entre o demônio e o mago Howl.

Lembro que quando eu era criança gostava de ler (ou, mais exatamente, ouvir) a mesma história um milhão de vezes. Devo ter estragado todos os VHS da Disney e decorado cada fala. Fazia muito tempo que não encontrava uma boa história do estilo “Era uma vez”. Não é fácil encontrar uma história merecedora de usar essas três palavras, ainda mais depois que crescemos e aprendemos a…analisar e não só curtir. O que, afinal, faz um bom conto de fadas?

“O Reino dos contos de fadas é amplo, profundo e alto, repleto de muitas coisas: todas espécies de animais se encontram por lá; oceanos sem margem e e estrelas incontáveis; uma beleza que é um encantamento e um perigo sempre presente; alegria e tristezas agudas como espadas.”. Gosto muito dessa descrição de J.R.R. Tolkien*. Apesar de um mundo fantástico ser especial por não ter limites, ele sempre terá uma dinâmica e regras próprias.

Quando lemos Harry Potter, por exemplo, sabemos exatamente porque deveria aparatar ou usar vassouras, o porquê de usar esse feitiço e não aquele. Temos aquela sensação de que se formos jogados dentro desse mundo não iríamos nos sentir deslocados, saberíamos o que fazer e até que lugares iríamos primeiro. Para mim, essa é a marca de uma boa história fantástica. Em “O Castelo animado” tenho certeza que iria me divertir com o mecanismo da porta de entrada do castelo (você escolhe um dos quatro lugares para qual a porta pode dar) ou ficar balançando em alguma das varandas, enquanto o castelo inteiro anda sacolejante pelos pântanos.

“O Castelo Animado” tem personagens intrigantes e não óbvios. Não tem como não se apaixonar pelo charmoso, irritante, arrogante e inteligente Howl ou pela bisbilhoteira, resmungona e corajosa Sophie.

Tudo isso foi muito bem adaptado para o longa metragem de animação do diretor Hayao Miyazaki, responsável por algumas das animações mais sensíveis e visualmente incríveis como A Viagem de Chihiro, ganhadora do Oscar. Embora a adaptação não tenha seguido o enredo do livro, ela é muitíssimo fiel quanto as personagens e a atmosfera do mundo. O filme confere a história mais faces, sem nunca apontar quem é o vilão. Vale muito a pena conferir. Uma dica: veja no áudio original em japonês. Acho que a dublagem brasileira muda totalmente o tom dos personagens (especialmente o de Sophie!) e não consegue manter as sutilezas que tornam essa obra tão especial.

“O Castelo animado” é para pessoas, que, como eu, sentem falta daquela sensação de estar descobrindo um conto de fadas pela primeira vez .

*TOLKIEN, J.R.R. in “Sobre Histórias de Fadas”, ed Conrad, Brasil, 2006

Resenhado por Luciana Zulpo

368 páginas. Editora Record.
*Título original: Howl’s Moving Castle. Publicado originalmente em 1986.

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Categorias: Luciana Zulpo, Resenhas
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