A menina que roubava livros

//Por Sheila Vieira - domingo, 29 de maio de 2011 às 15:59

Um dos livros mais vendidos dos últimos anos, “A menina que roubava livros” conta a história de Liesel, que foi levada para adoção quando pequena e cresceu no cenário da Segunda Guerra Mundial. A garota encontrou refúgio no mundo das palavras dos livros que roubava.

Dividida em dez partes, a narrativa é contada através das palavras de Liesel pela morte, que antecipa eventos, faz comentários sobre a guerra e analisa a história. Leia a resenha de Gabriela Alkmin e deixe um comentário!

“A menina que roubava livros”, de Markus Zusak

Tempo: para ler de um tiro só no final de semana
Finalidade: para pensar
Restrição: para quem tem estômago sensível
Princípios ativos: livros, Alemanha, nazismo, infância, morte.

A primeira vez que Liesel Meminger se encontrou com a morte foi durante uma viagem de trem. Sua mãe a levava, juntamente com o seu irmão, Werner, para serem adotados pela família Hubermann – o caçula, entretanto, não conseguiu completar a viagem. É também, nesse momento, que a menina rouba seu primeiro livro: “O manual do coveiro”, derrubado no chão por um dos funcionários durante o enterro de seu irmão. Não seria a única vez. Liesel ainda se encontraria com a morte mais duas vezes antes de morrer e roubaria ainda mais outros cinco títulos.

Em sua nova casa na rua Himmel, a menina foi recebida por seus novos pais adotivos: Rosa, uma reclamona, mas bondosa, lavandeira, e Hans Hubermann, pintor e acordeonista. O novo pai se tornaria a pessoa mais importante da vida de Liesel, ajudando-a a lidar com a morte do seu irmão e a aventurar-se nas suas primeiras leituras. Nesse novo cenário, ela ainda ganharia a companhia constante de seu vizinho, Rudy Steiner, companheiro de pequenos furtos de comidas e de livros, por quem nutriria seu primeiro amor. Ainda entram na vida de Liesel duas importantes personagens: a mulher do prefeito, Ilsa Hermann, cliente de sua mãe e em cuja biblioteca passaria importantes momentos, e Max Vandenburg, o lutador judeu escondido, por muito tempo, no porão de sua casa.

Inspirado pelas histórias que ouviu durante a infância, o australiano Markus Zusak, filho de pai austríaco e mãe alemã, publicou “A menina que roubava livros” em 2006. Sob o olhar inocente de uma criança, ele nos convida a mergulhar na Alemanha nazista, de perseguições e humilhações, de guerra e de dificuldades, de partidários do regime e rebeldes e resistentes. Acompanhamos a jornada de Liesel no início da década de 40 e suas descobertas enquanto ela cresce no meio de uma guerra: pequenos e emocionantes acontecimentos que permitem que ela descubra a relação entre seu pai biológico comunista, seu amigo judeu, a rua Himmel e o Führer.

Durante a sua trajetória, os livros, tanto os roubados como os presenteados, ocupam um lugar muito especial. Em seu esforço para conseguir ler, entendê-los é o objetivo que Liesel coloca para si mesma. Eles também marcam as horas compartilhadas com o pai, as amizades desenvolvidas com Ilsa e Max e o alívio nos momentos de tensão. O poder das palavras provoca sentimentos contraditórios na menina que roubava livros: raiva, pelas conseqüências que elas tiveram quando saíram da boca de Adolf Hitler e seduziram tantas pessoas, mas, ao mesmo tempo, o fascínio pelos livros que, de tantas maneiras, a salvaram.

É através das palavras de Liesel que a narradora tem conhecimento da história da menina que roubava livros e resolve recontá-la. A narração, dividida em dez partes, além de prólogo e epílogo, é permeada de comentários do narrador-personagem: a morte. Por muitas vezes, a narradora nos antecipa acontecimentos futuros, além de tecer suas impressões sobre a guerra, sobre as atitudes humanas, bem como sua relação com ambos. O modo como “A menina que roubava livros” é narrado é cativante, provocando diversas sensações e reflexões no decorrer dessa emocionante história.

Resenhado por Gabriela Alkmin

499  páginas, Editora Intrínseca, publicado em 2007.
*Título Original: The Book Thief. Publicado originalmente em 2005.

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Categorias: Resenhas, Sheila Vieira
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