A força do digital

//Por Sheila Vieira - quinta-feira, 17 de março de 2011 às 18:23

Um livro a respeito dos limites entre a privacidade e o acesso livre à informação, com toques de conspiração e uma boa história de mistério. Com um certo tom de “1984”, de George Orwell, o escritor Dan Brown nos leva ao mundo da “Fortaleza Digital”.

O autor de “O Código da Vinci” já havia publicado esse livro quando ficou famoso mundialmente e colocou como protagonista uma mulher, agente da Agência de Segurança Nacional dos EUA. Ficou curioso? Leia a extensão e saiba mais com Luciana Zulpo!

“Fortaleza Digital”, de Dan Brown

Tempo: para ler de um tiro só no final de semana
Finalidade: para ficar na ponta da cadeira
Restrição: sem contra-indicações
Princípios ativos: código, hacker, mistério, agencia secreta.

A matemática Susan Fletcher passa seus dias na redoma enregelante do departamento de criptografia da NSA – a Agencia de Segurança Nacional estadunidense. Sua função é quebrar códigos e senhas do mundo todo, para que nenhuma informação escape ao governo norte-americano. O ruído do supercomputador que ocupava andares inteiros era o conforto de que nenhum código era inquebrável. Ou isso era o que pensavam.

Fortaleza Digital é o filho menos conhecido de Dan Brown, escrito antes do best-seller O Código da Vinci, mas que já trazia um dos grandes talentos do escritor: a capacidade de transformar informações desconexas e fatos históricos em uma narrativa coesa.

Em Fortaleza Digital, não temos obras de arte históricas ou o charmoso cenário europeu; temos no lugar tecnologia de ponta e curiosidades geek revelando o caminho para a brilhante protagonista. É impossível conter a sensação de estar lendo uma “Superinteressante” em forma de romance, não muito diferente do que seria feito em O Código.

O livro toca em um assunto muito atual – o conflito entre a privacidade e a segurança coletiva. Com a internet e a proliferação de câmeras de segurança é justo começarmos a se perguntar até que ponto um direito individual pode ser violado para o bem coletivo. Seria correto, por exemplo, que o governo tivesse acesso a todos os e-mails pessoais? É correto que o seu navegador de internet guarde todos os seus passos em um histórico? É difícil estabelecer limites.

É claro que Dan Brown não escreve aqui nenhum tratado social, mas sim o que ele faz de melhor- um grande suspense vertiginoso. Para tanto, os próprios personagens tem o espaço de seu desenvolvimento roubado para o bem do ritmo da narrativa. Assim, eles são todos muito simples, mas que servem bem à história. O enredo claramente vem em primeiro lugar. É interessante reparar que existem personagens reincidentes em todas suas obras, como uma bela mulher bem sucedida profissionalmente. Susan, de Fortaleza Digital, Victória Vectra, de Anjos e Demônios e Sophie Neveu de O Código da Vinci que o digam.

Não há espaço para romances das páginas alucinantes de Brown. É difícil então digerir o romance de Susan e David. O narrador limita-se a informar ao leitor que eles estão apaixonados. Nós não vemos o romance, mas somos obrigados a partir do princípio que há um. A falta de empatia pelo casal chega a comprometer o clímax, que poderia ser mais emocionante se a história dos dois fosse mais envolvente.

Resenhado por Luciana Zulpo

296 páginas. Editora Sextante.
*Título original: Digital Fortress. Publicado originalmente em 1998.

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Categorias: Luciana Zulpo, Resenhas
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