Inimigas do Espelho

//Por Sheila Vieira - domingo, 27 de fevereiro de 2011 às 14:51

Imagine como seria ser chamado de feio. Pior que isso, ser encarado como tal, sendo uma mulher… Não é fácil, ainda mais numa sociedade que coloca a beleza como um fator fundamental para o sucesso.

Com isso em mente, a autora Claudia Tajes escreveu um romance com pitadas de ensaio sobre uma mulher feia e como ela encara os desafios do dia a dia sendo discriminada por sua falta de beleza. Leia a resenha de Débora Rezende sobre “A vida sexual da mulher feia” e deixe seu comentário!

“A vida sexual da mulher feia”, de Claudia Tajes

Tempo: para ler de um tiro só no fim de semana
Finalidade: para pensar
Restrição: para quem tem dificuldades com pontos de vista alternativos
Princípios ativos: beleza, mulheres, padrões, ensaio, amor.

A beleza feminina é, e sempre foi, um tópico bastante delicado. Como determinar se uma mulher é ou não bonita? Com os padrões atuais cada vez mais difíceis de serem alcançados, determinar quem é bonita e quem não é pode se mostrar uma tarefa muito discriminatória – para não falar em injusta. Afinal, no conceito de beleza, encaixa-se apenas a beleza exterior da mulher? Em “A vida sexual da mulher feia”, Claudia Tajes traz para o leitor, da maneira leve e cômica que já lhe é familiar, um ensaio sobre os dilemas de uma mulher nem de longe vista como bonita pela sociedade, trazendo para o leitor desde sua vida familiar até a aceitação masculina e sua própria aceitação.

Dando vida à Jucianara, a protagonista da história, Tajes segue ao longo de cinco capítulos uma explanação sobre cada um dos aspectos de uma mulher que poderia ser facilmente sua colega de faculdade ou estar passando por sua rua agora mesmo. Como uma classe de mulheres renegadas pela sociedade, as ditas “mulheres feias” tem seus sentimentos, reações e pensamentos estudados e expostos de uma maneira muito prazerosa de se ler. De fato, é quase impossível não se identificar com a carismática Ju e suas histórias de amor e amizade.

“A vida sexual da mulher feia”, no entanto, não levanta apenas a questão amorosa de uma “classe de mulheres”. Levanta também a maneira como se veem e reagem diante de uma sociedade que já as olha com a visão formada: a de que toda mulher que não atinge seus delirantes padrões é feia e indigna de atenção. Mas, provando o contrário, a personagem vai mostrar que, mesmo não sendo bonita como modelos de capa de revista ou inteligente como progamadoras de computadores, ela é uma mulher como outra qualquer, capaz de amar e ser amada.

Ao finalizar a obra, Tajes trás ao leitor depoimentos de mulheres reais e suas mais diversas histórias, sejam elas bonitas, feias, amadas ou não, mas que mostram que toda mulher é forte e capaz de superar qualquer coisa e encontrar felicidade e conforto até mesmo nas fontes mas improváveis. E que pode se amar antes de fazê-lo por qualquer outra pessoa.

Resenhado por Débora Rezende

136 páginas, Editora Agir. Publicado originalmente em 2005.

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Categorias: Debora Rezende, Resenhas
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