O sobrenatural londrino

//Por Sheila Vieira - segunda-feira, 31 de janeiro de 2011 às 18:24

O mundo obscuro de Londres guarda segredos que nós, leitores, nem imaginamos. Um deles são os necromantes, criaturas do livro “A Maldição de Alaizabel Cray”, obra de Chris Wooding que explora o sobrenatural.

Segundo nossa resenhista Luciana Zulpo, esse livro é para ser lido na cama, antes de dormir, quando enfrentamos a solidão e as dúvidas do que pode existir além das nossas sensações. Leia o texto e deixe seu comentário!



“A Maldição de Alaizabel Cray”, de Chris Wooding

Tempo: para ler pouco a pouco em intervalos durante a semana
Finalidade: para ficar na ponta da cadeira
Restrição: para quem tem dificuldades com pontos de vista alternativos
Princípios ativos: Londres, sobrenatural, necromantes, caçadores,aventura, sociedade-secreta.

Lampiões iluminam a enevoada noite de Londres. Um dirigível corta a noite, pronto para despejar bombas no Distrito Velho, de onde um mal inominável parece escoar e envenenar a cidade. Lobos correm pelas ruas, em busca de presas humanas. Mas os animais não são a pior coisa que circulam pela noite desde o Vernichtung , o ataque que praticamente destruiu a cidade. Há ainda outras criaturas, que povoam os pesadelos desde sempre: os necromantes.

Thaniel Fox , um garoto de 17 anos , é um famoso caçador de necromantes. Em uma de suas missões, conhece a perturbada (e encantadora) Alaizabel Cray. Sem nenhuma memória, Alaizabel parece atrair todo o tipo de necromante. A situação piora quando suspeitam que a Irmandade – da alta e corrupta sociedade londrina – está envolvida.

A maldição de Alaizabel Cray usa o sobrenatural não para criar o terror, mas sim uma história de suspense e aventura. Como leitores, somos jogados sem maiores explicações nesse mundo povoado por seres que tem suas próprias regras. Apesar de velhos conhecidos darem as caras – como o bicho-papão – somos apresentados a criaturas muito mais interessantes, que fazem a leitura valer a pena.

O clima beira o steampunk- os dirigíveis e trens misturam-se às luxuosas carruagens. Somos levados a cenários pertubadores, esqueletos que erguem-se sinistros nessa Londres pós-apocalíptica. Vemos o hospício, as linhas de metrô desativadas povoadas por criaturas sem nome, uma imensa catedral gótica e o labirinto da rede de esgoto.

O autor parece dedicar um cuidado especial para pequenas histórias que acontecem paralelas ao arco central de Alaizabel. São como contos, mostrando o destino de cidadãos comuns que nem ao menos sabem da existência de necromantes. Ironicamente, os personagens mais interessantes duram apenas por esses curtos capítulos.

Thaniel é o herói típico, com alguns poucos momentos de dúvida. Apesar de ser o motor da história, não há nenhuma novidade nele. Sua companheira caçadora, Cathaline, parece ser mais marcante que ele próprio. Ela é uma garota de cabelos curtos com mexas vermelhas, jaqueta de couro e imaginem só, calças! Coisa que nenhuma dama deveria pensar em usar naquela época. Apesar de promissora, pouco vemos dela . Cathaline não parece passar por nenhuma transformação interna e acaba a história exatamente como começou. É Alaizabel que parece passar por uma jornada interna, geralmente destinada aos heróis.

A Maldiçao de Alaizabel Cray é um livro para aqueles de sentidos aguçados, que conseguem ver algo a mais no escuro. E para aqueles que tem coragem de manter os olhos abertos. É para ser lido antes de dormir, enquanto você se pergunta sobre o que são esses ruídos estranhos pela casa.

Se você já viu uma sombra pesada rodeando sua cama à noite, talvez seja melhor desenhar o Guardião específico na porta do seu quarto. Só por precaução.

Resenhado por Luciana Zulpo

391 páginas, Editora Arxjovem.
*Título original: The haunting of Alaizabel Cray. Publicado originalmente em 2001.

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Categorias: Luciana Zulpo, Resenhas
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