O preço da fama

//Por Sheila Vieira - domingo, 09 de janeiro de 2011 às 10:34

Um livro sobre do que as pessoas são capazes para entrar no mundo do espetáculo, alcançar a fama e ter o poder de manipular as pessoas através do carisma, numa sociedade onde as aparências falam mais alto. Seria uma obra sobre os tempos atuais, em que o programa mais assistido da TV é o “Big Brother”?

Não! A primeira resenha de 2011 do Potterish é de um livro lançado em 1976 pelo famoso autor Sidney Sheldon. “Um estranho no espelho” é a história de Toby Temple e Josephine, dois aspirantes a estrelas de Hollywood nos anos 60 que parecem seguir o caminho de tantos outros desiludidos que sonham com o estrelato, mais nunca chegam a ele. No entanto, a vida reservou uma série de armadilhas para ambos. Quer saber mais? Leia a extensão!

“Um estranho no espelho”, de Sidney Sheldon

Tempo: para ler pouco a pouco em intervalos durante a semana
Finalidade: para ficar na ponta da cadeira
Restrição: para quem não gosta de longas descrições
Princípios ativos: fama, mistério, amor, Hollywood, mentiras.

Toby Temple nasceu em Detroit e, desde pequeno, é incentivado pela mãe a tentar uma carreira em Hollywood, seja ela qual for. O importante é que ele consiga atingir o sonho que ela nunca conseguiu: ser uma estrela. Quando sua mãe morre, Toby promete que realizará seu desejo e foge dali após engravidar uma menina. Josephine é de uma pequena cidade do Texas e sonha em ser “modelo-e-atriz”. Após uma decepção amorosa, foge para Los Angeles e muda de nome.

O romance de Sidney Sheldon começa como uma fábula sobre o mundo do espetáculo a partir de dois personages diferentes quanto à personalidade, mas com trajetórias parecidas até um certo momento. Toby é amigável, carismático, sedutor, engraçado e tenta a todo momento fazer contato com os agentes de Hollywood, principalmente o maior deles, Clifton Lawrence.

A “grande chance” de Toby acontece quando ele seduz a dona de uma escola de teatro mais velha, fazendo com que ela convide Lawrence para uma peça do grupo de teatro deles. O agente escala Toby para fazer stand-up comedy em vários bares e ele faz cada fez mais sucesso. Ainda mais atraente para as mulheres, ele se envolve com a amante de um grande magnata de Hollywood e sofre a primeira ameaça de sua vida: terá que casar com a mulher e sustentá-la, senão será morto.

Enquanto viaja os EUA, Toby se torna uma estrela da TV e do cinema. Faz apresentações para o presidente, é conhecido por todos os norte-americanos, ganha prêmios, seu programa vira o maior sucesso do momento. Em pouco tempo, Toby se tornou uma lenda. Para melhorar sua situação, ele se livrou da esposa indesejada. Porém, ele acabou se apaixonando por uma figurante de sua peça, chamada Jill Castle, o nome artístico de Josephine.

Mas como Josephine chegou até Toby? Ainda no Texas e adolescente, ela se apaixonou por David, um moço rico da cidade. Os dois começaram a namorar e tiveram um mal-entendido (o primeiro de muitos), fazendo com que Josephine fugisse para Los Angeles. Desesperada pela falta de dinheiro e de oportunidades, a moça se submete a provações cada vez piores, que a fazem perder sua dignidade da maneira mais degradante possível.

Trabalhando com o nome de Jill Castle, Josephine recusou as investidas de Toby Temple por um bom tempo, mas os dois acabaram se casando. No entanto, a maior vontade da jovem era se vingar de tudo que sofrera até ali e fazer as cabeças Hollywood pagarem por sustentar uma máquina de ilusões que destruiu a sua vida.

A partir desse momento, começa uma outra história, ditada pelo mistério, por vingança e muitas reviravoltas que não revelarei aqui. Por mais que a narrativa seja mais movimentada e surpreendente no final, algumas coisas parecem extremamente forçadas e “novelescas”, reforçando a má vontade que muitos críticos têm em relação a Sidney Sheldon. Porém, pelo fiel retrato do mundo e submundo da fama, “Um estranho no espelho” é uma boa leitura.

Resenhado por Sheila Vieira

257 páginas, Editora Record, 1997.
*Título original: A stranger in the mirror. Publicado originalmente em 1976.

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Categorias: Resenhas, Sheila Vieira
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