Esse mundo distante

//Por Sheila Vieira - domingo, 12 de setembro de 2010 às 12:24

Um dos países mais polêmicos do mundo atualmente, o Irã é visto por muitos como uma ameaça nuclear ao mundo ocidental. Já o governo brasileiro é mais diplomático com a nação asiática. As questões comportamentais também são muito discutidas, como a condenação (cancelada) de uma mulher a apedrejamento por adultério. É possível tratar esses assuntos com leveza, naturalidade e emoção? A iraniana Marjane Satrapi foi muito bem-sucedida nessa empreitada, através do livro de história em quadrinhos “Persépolis”. Trata-se de uma autobiografia ilustrada, que retrata como ela foi criada em meio a revoluções, guerras, perseguição política, viagens ao exterior, com um olhar crítico, sem preconceitos, e, acreditem, muito bom humor. Leia a resenha de Sheila Vieira e deixe seu comentário!

“Persépolis”, de Marjane Satrapi

Tempo: para ler de um tiro só no fim de semana
Finalidade: para rir
Restrição: para quem não gosta de coisas moderninhas
Princípios ativos: história em quadrinhos, Irã, islamismo, história, viagem.

“Persépolis” começa com o desenho de uma menina de dez anos vestindo véu, com cara emburrada. Todas as suas amigas também eram obrigadas a cobrir seus rostos. Mas a vida nem sempre foi assim no Irã. Após a Revolução Islâmica de 1979, que o regime começou a ser mais rígido com os hábitos comportamentais do povo. Filha de uma família politizada, foi assim que a pequena Marjane começou a sua jornada.

Esperta, curiosa e com muita vontade de ser livre, Marji não tinha vergonha de expor seus pensamentos combativos para os colegas de classe. Por isso, sempre sofria punições e advertência dos diretores da escola. Porém, a situação ficou mais complicada quando membros de sua família começaram a desaparecer e serem mortos.

Para piorar, não muito depois o país entrou em guerra com o Iraque, e Marji não podia mais sair na rua para encontrar os amigos. Parece tolo, mas a autora é muito eficaz ao fazer o leitor entrar na mente de uma pré-adolescente testemunhando um capítulo histórico importante. Ao passo em que a violência é parte do seu cotidiano, ela se torna cada vez mais banal.

Quando sua rua foi bombardeada, matando vários de seus vizinhos, os pais de Marji tomaram a decisão de tirar a filha do Irã. Conseguiram que a filha morasse na Áustria, onde poderia estudar outras línguas e ficar longe da repressão comportamental que tanto a incomodava. Porém, a futilidade de algumas colegas e a falta de dinheiro começaram a levar Marji a um triste caminho…

“Persépolis” foi escrito e ilustrado em quatro partes, reunidas em um livro. A imagens são em preto e branco e facilitam bastante a leitura, bem como ajudam a manter o tom leve da narrativa. A obra ganhou o prêmio de melhor história em quadrinhos na Feira de Frankfurt em 2004 e foi publicada em vinte países.

Resenhado por Sheila Vieira

352 páginas, Editora Companhia das Letras, 2009. Tradução de Paulo Ventura.
*Título original: Persepolis. Publicado originalmente de 2000 a 2003.

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Categorias: Resenhas, Sheila Vieira
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