Infância e nazismo

//Por Sheila Vieira - domingo, 22 de agosto de 2010 às 11:42

Como uma criança absorve e entende um evento que, aos olhos dela, é natural, mas extremamente marcante para a História? “O menino do pijama listrado” é um livro sobre Bruno, que não entende a importância de viver ao lado de um campo de concentração nazista. O romance de John Boyne conta a infância de um menino que vive num mundo imerso em terror. Porém, Bruno está alheio a tudo isso e pensa nas crianças que estão lá e podem fazer companhia a ele. Confira a resenha de Gabriela Alkmin sobre a obra que virou filme e emocionou pessoas ao redor do mundo. Claro, também deixe seu comentário.

“O menino do pijama listrado”, de John Boyne

Tempo: para ler de um tiro só no fim de semana
Finalidade: para se emocionar
Restrição: não suporta melodrama
Princípios ativos: amizade, infância, nazismo, Segunda Guerra Mundial, história.

Bruno é um menino de oito anos de idade que mora com a família em Berlim. Sua vida muda completamente quando, em razão do trabalho do pai, eles são obrigados a se mudar. O menino não gosta do novo lugar: a nova casa é menor do que a antiga e não existem outras casas por perto. Além disso, da janela do seu novo quarto, Bruno nota uma cerca, separando sua casa de um lugar onde existem muitas pessoas vestidas com pijamas listrados.

O menino agora não vai mais à escola, ao invés disso, ele tem aulas particulares em casa de História e de Geografia – segundo o professor Liszt, são essas disciplinas que importam para a construção da nova Alemanha. As únicas pessoas com quem ele pode conversar são a empregada Maria e sua irmã, Gretel, que vive brigando com ele. Em uma de suas explorações, entretanto, isso muda: ele conhece um menino da sua idade do outro lado da cerca, Shmuel.

“O menino do pijama listrado” foi escrito pelo irlandês John Boyne em 2006, dando origem a um filme, de mesmo título, no ano seguinte. Com uma linguagem simples, que remete à construção infantil, o romance narra a história de uma amizade em tempos de guerra. Também relata, através do olhar ingênuo de Bruno, o regime que dominou a Alemanha durante a Segunda Guerra.

Bruno não entende o que acontece na sua nova casa, na Polônia. Do seu lado da cerca, há sua família e os soldados, amigos do pai. Do outro lado da cerca, homens e meninos de pijamas listrados. Mas por que a divisão? Bruno se pergunta por que eles nunca saem de lá, enquanto os soldados sempre vão visitá-los. Ele fica imaginando como seria divertido ir para lá, onde existiam tantas crianças para brincar – mesmo que seu novo amigo lhe diga que não há brincadeiras onde ele está.

Algumas informações chegam até Bruno, mas ele não consegue entender. Ele faz perguntas a Maria, à irmã Gretel, recentemente obcecada com jornais e mapas, e até ao seu pai, o comandante. Além disso, ele presencia alguns maus-tratos do arrogante tenente Kotler ao pobre cozinheiro. Entretanto, ele não consegue captar a relação entre os soldados e as pessoas de pijama listrado, nem relacionar o comportamento de Kloter que testemunhou em sua casa ao tratamento dispensado ao outro lado da cerca.

Bruno não ouve apenas o que lhe dizem em casa: em muitas conversas com Shmuel, ele conta coisas sobre o outro lado e sua trajetória até chegar lá. Mas o menino foge do confronto, inevitável, entre o que aprendeu em casa (e repete sem muito questionamento) e o que lhe conta o amigo. Para ele, é difícil de acreditar no cenário horrível que o amigo descreve. A imaginação que ele tinha sobre o outro lado só é desfeita quando ele encara a triste realidade além da cerca.

Carregado de emoções em diversas passagens, o desfecho de “O menino do pijama listrado” é inesperado e muito comovente. É difícil não se sensibilizar com essa delicada história de amizade, transcorrida em tempos tão sombrios.

Resenhado por Gabriela Alkmin

200 páginas, Editora Companhia das Letras, publicado em 2007.
*Título original: The Boy in the Striped Pyjamas. Publicado originalmente em 2006.

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