A jornada de Édipo

//Por Sheila Vieira - domingo, 02 de maio de 2010 às 10:06

Ao lermos o nome de Édipo, podemos lembrar de “seu complexo”, criado pelo pai da psicanálise Freud. Porém, a história desse personagem remete aos áureos tempos da Grécia, quando ele enfrentou a Esfinge e tomou o reino de Tebas, despertando uma série de acontecimentos. Confira aqui a resenha de Léo Scarpa sobre “Édipo, o Maldito”, uma obra de 2006, escrita pela autora Marie-Thérèse Davidson, que faz uma releitura dos mitos envolvendo essa figura polêmica.

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“Édipo, o Maldito”, de Marie-Thérèse Davidson

Tempo: para ler pouco a pouco em intervalos durante a semana
Finalidade: para pensar
Restrição: para quem tem dificuldade com pontos de vista alternativos
Princípios ativos: oráculo, destino, deuses, mitologia, Grécia.

Em um banquete no palácio Real de Corinto, um jovem ouve que não é o herdeiro do trono, que não passa de um “bastardo”. Revoltado, ele procura o Oráculo de Delfos, para saber o que os deuses prometem para o seu futuro. Então, Édipo se lança nas estradas da antiga Grécia. Nos arredores da cidade de Tebas, ele se vê ameaçado por um grupo de homens, e não encontra outra saída a não ser lutar contra eles. No final, acaba matando o mais velho e mais alguns servos. Já na cidade de Tebas, ele encontra uma esfinge, que com seu enigma, “dominava” a cidade e matava qualquer um que não descobrisse sua charada.

Após Édipo ser questionado pela Esfinge, ele concede a resposta correta. Em um súbito de raiva, ela voa alto e se joga em um rochedo. Tebanos aparecem de todos os lados glorificando o jovem pelo seu feito. Como o rei de Tebas havia acabado de ser assassinado, a população escolhe o estrangeiro Édipo para ocupar o lugar de Laio, o antigo rei. Ele aceita o trono e recebe como recompensa a ex-mulher de Laio, Jocasta. Após muitos anos de bom governo, vê em sua cidade uma misteriosa peste que matava a população tebana dia-a-dia. Intrigado com tal acontecimento, consulta o Oráculo de Delfos. A partir de uma série de acontecimentos, Édipo descobre que sua maldita profecia, prevista muitos anos antes em Delfos, havia se cumprido.

Uma das mais famosas peças de teatro de todos os tempos, a peça de Sófocles, Édipo Rei, em seu mito original, com cunho lendário, é muito mais antiga que as Epopéias de Homero – Ilíada e Odisséia. Com o apoio de Homero, podemos aprender o que teria sido a lenda desse rei. Por exemplo, no Canto XI da Odisséia (versos 271 a 280), na passagem em que Ulisses desce ao Hades e ali encontra Jocasta, cuja sorte, ter casado com o próprio filho, lamenta. Comenta também que Édipo continuava a reinar em Tebas, apesar dos terríveis sofrimentos impostos pelos deuses a ele e a sua família.

A tragédia de Édipo é tão fascinante que podemos encontrar-la até em músicas, como é o caso do russo Igor Stravinsky, em sua ópera-oratória: Édipo, toda contada em latim. Nas artes plásticas não faltam exemplos a citar. Desde a Antiguidade, num vaso ático de 470 a. c., ele já encantava com sua história. Também na era Cristã, é novamente fonte principal de várias obras. Já nos cinemas, o mito milenar tem presença marcada. Como exemplos o clássico: “Édipo Rei.” No Brasil, foi o tema central da novela de Dias Gomes: Mandala, exibida entre 1987 e 1988. O papel de Jocasta era interpretado por Vera Fischer e o de Édipo, por Felipe Camargo. Sem nenhuma fidelidade ao texto trágico, a drama surgia num cenário moderno e inovador, porém, continuava com o mesmo encantamento da Antiguidade Grega.

Resenhado por Léo Scarpa

127 páginas, Editora SM, publicado em 2006.
*Título original: “Edipe, Le Maudit”. Publicado originalmente em 2006.

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