A ciranda da vida

//Por Sheila Vieira - domingo, 30 de maio de 2010 às 12:50

Ver os pais se separando e as consequências que isso traz a uma família, sentir-se excluída de um círculo de amigos, não encontrar um lugar para pertencer são situações que muitos jovens passam em sua fase de amadurecimento. Confira aqui a resenha de Gabriela Alkmin sobre “Ciranda de Pedra”, obra de Lygia Fagundes Telles, uma das mais reconhecidas escritoras brasileiras, que conta a história de Virgínia e sua visão sobre o amor, a amizade e sobre como é capaz de mudar seu próprio destino.

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“Ciranda de Pedra”, de Lygia Fagundes Telles

Tempo: para ler de pouco a pouco em intervalos durante a semana
Finalidade: para se emocionar
Restrição: para quem não suporta melodrama
Princípios ativos: separação, família, amadurecimento, reflexão, vida.

Cinco anões de pedra formando uma ciranda ao redor de uma fonte. Essa é a imagem que será recorrente durante o romance. Trata-se da estátua existente no jardim da mansão de Natércio. Mas ela representa muito mais para Virgínia, protagonista do livro, – impenetrável, ela é o círculo fechado de amigos do qual ela sempre quis fazer parte, formado por Bruna, Otávia, Letícia, Conrado e Afonso. Suas impressões sobre esses cinco anões de pedra permeiam todo o romance.

Quando seus pais se separam, as duas irmãs mais velhas de Virgínia, Bruna e Otávia, continuaram morando na mansão com o pai, Natércio, um rico advogado. Virgínia, entretanto, vai morar com a sua mãe, Laura, e com Daniel. Laura sofre com a loucura e é Daniel quem, apaixonado, cuida dela pacientemente. Algum tempo depois, com a piora do estado de saúde da sua mãe, Virgínia retorna ao convívio da casa do pai. Durante o seu crescimento, Virgínia consegue enxergar melhor cada um daqueles rostos que tanto idealizava.

“Ciranda de Pedra” é o primeiro romance de Lygia Fagundes Telles. Publicado em 1954, lida com temas polêmicos para a época, como a homossexualidade. Serviu de base, posteriormente, para a produção de duas novelas na Rede Globo, em 1981 e em 2008. O romance é dividido em duas partes, nas quais a autora habilmente faz com que penetremos na mente de Virgínia.

Na primeira parte, encontramos uma Virgínia muito jovem, que sofre com a separação dos pais. Vivendo em uma casa menor, com dificuldades financeiras e com a loucura de sua mãe, Virgínia inveja a vida que suas irmãs têm na mansão. Ela desejava participar das festas e passeios de que ouvia falar, ainda estar perto do seu vizinho, Conrado, por quem nutria uma paixão, e fazer parte do mundo que fantasiava. Pouco antes de sua mãe falecer, ela muda-se para a mansão, mas as coisas não são como ela esperava: além da frieza do pai, ela se sente rejeitada pelo círculo de amigos. Nesse momento, Virgínia descobre mais sobre a relação entre Daniel, Laura e Natércio, o que interfere na sua decisão de estudar no internato.

A segunda parte é marcada pela saída de Virgínia do internato e sua volta à mansão de Natércio. Agora mais culta e feminina, ela está mais velha, entretanto, ainda não tão preparada como imaginava para lidar com aqueles rostos do passado. Aos poucos, os anões de pedra vão estendendo as mãos para ela, começando por Letícia. Virgínia tem a oportunidade, então, de conhecer melhor cada um dos cinco componentes da ciranda. Cada fraqueza é revelada e ela percebe que aquelas pessoas a quem tratou como semideuses durante a sua infância eram apenas humanos – nem bons, nem maus.

Apesar das décadas que se passaram desde que “Ciranda de Pedra” foi escrito, o romance continua bastante atual. O ponto de vista de Virgínia é envolvente, cativando a atenção do leitor do início ao fim. O grande destaque do livro são as análises psicológicas dos personagens, culminando em ótimas reflexões.

Resenhado por Gabriela Alkmin

192 páginas, Editora Rocco, publicado em 1998.
Publicado originalmente em 1954.

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