Quem é o diabo: a moda ou o jornalismo?

//Por Sheila Vieira - domingo, 28 de março de 2010 às 11:09

A adaptação cinematográfica de “O Diabo Veste Prada” foi lançada em 2006 e rendeu uma indicação ao Oscar para Meryl Streep. Porém, o livro que inspirou o roteiro mudou a vida de Lauren Weisberger, escritora americana de 33 anos. Confira aqui a resenha sobre a obra, que mantém as mesmas características do longa, porém com uma crítica mais voltada ao mundo editorial. Nas páginas, a moda é coadjuvante.

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“O Diabo Veste Prada”, de Lauren Weisberger

Tempo: para ler de um tiro só no fim de semana
Finalidade: para rir
Restrição: para quem não gosta de coisas moderninhas
Princípios ativos: Jornalismo, Moda, glamour, Nova York e mundo feminino.

Uma moça que acaba de sair da faculdade, cujo sonho é ser escritora, decide começar a trabalhar em uma revista de moda. Seria apenas um emprego temporário, até que ela conseguisse experiência suficiente para chegar à “New Yorker”, sua publicação favorita. Porém, Andy Sachs descobre que o mundo editorial para os jovens se assemelha a uma espécie de escravidão. Ao invés de escrever, Andy sofre nas mãos da chefe da revista “Runway”, Miranda Priestly, estereótipo do chefe explorador. Durante sua jornada, Andy descobre mais sobre moda, indústria editorial e sobre seus próprios ideais.

O título “O Diabo Veste Prada” está associado ao filme estrelado por Meryl Streep e Anne Hathaway (a capa do livro é o pôster do longa), mas essa história foi contada primeiramente no impresso, pela jovem autora americana Lauren Weisberger. Há rumores de que o enredo seja praticamente autobiográfico, já que ela trabalhou na revista “Vogue”, da famosa chefe temperamental Anna Wintour. A principal diferença entre o livro e o filme é que o original reflete mais sobre o mundo do jornalismo do que propriamente o da moda.

O primeiro choque de realidade da Andy acontece quando ela se veste para a entrevista de emprego. Coloca uma roupa social, mas não muito produzida, e pensa: “Não vão me contratar ou rejeitar com base somente na aparência”, para depois descobrir que estava enganada. Todos sabemos que o mundo da moda não é o único que valoriza o visual. O segundo choque é a tarefa impossível dada por Miranda, também mostrada no filme: conseguir livros de Harry Potter antes deles chegarem às livrarias. Um exemplo de como, ao chegar numa redação, nossas tarefas são muito mais braçais do que mentais.

Uma passagem que não foi adaptada aos cinemas foi uma carta recebida por Andy, na qual uma leitora da “Runway” declarava extrema devoção a Miranda Priestly. A editora mal leu o recado, mas Andy o guardou e se deu conta de que o propósito das publicações é muito mais comercial do que uma vontade de levar informação às pessoas.

O conflito entre ela, seu namorado e sua melhor amiga também tem grande destaque e coloca em evidência a maneira com que as pessoas se dividem entre as longas horas de trabalho maçante e as pessoas amadas. Há um momento em que Andy deve escolher, mas o motivo de sua decisão é diferente no livro (e o que diz a Miranda é bem mais forte).

Sinceramente, o filme é melhor, por sua objetividade ao contar os fatos. A prosa de Lauren é muito prolixa e repetitiva. Sabe aquele livro que você poderia cortar vários pedaços, não fazendo nenhuma falta? De qualquer forma, vale a leitura, pois ela é mais universal do que feminina, ao descrever um mundo do trabalho comum a todos nós.

Resenhado por Sheila Vieira

410 páginas, Editora Record, publicado em 2006.
*Título original: “The Devil Wears Prada”. Publicado originalmente em 2003.

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