O mundo mágico de Tolkien

//Por Sheila Vieira - domingo, 21 de março de 2010 às 12:07

Assim como “Harry Potter”, os livros de Tolkien são cultuados por seus fãs como uma religião. Todos os mapas, personagens, lugares e mistérios mexem com a nossa imaginação, quando enfrentamos a grande quantidade de páginas dessas obras. Porém, a resenha de Luciana Zulpo não pretende estabelecer comparações, mas sim destrinchar o fascínio da obra “O Hobbit”, que chegará depois da Trilogia do Anel nos cinemas, mas foi criada antes pela mente do autor.

É fã de Tolkien ou de algum outro escritor do mesmo estilo? Deixe sua sugestão de resenha para a nossa equipe!

“O Hobbit”, de J.R.R. Tolkien

Tempo: para ler pouco a pouco em intervalos durante a semana
Finalidade: para ficar na ponta da cadeira
Restrição: para quem não gosta de longas descrições
Princípios ativos: aventura, fantasia, heroísmo, mistério e Terra-Média.

“Estou procurando alguém para participar de uma aventura que estou organizando, e está muito difícil achar alguém”. “I am looking for someone to share in an adventure that I am arranging, and it’s very difficult to find anyone”, no original. Um convite casual – mais para uma indireta – do mago Gandalf é o começo de tudo. É inevitável para quem folheia as primeiras páginas de “O Hobbit” não ser atraído por essa figura. Tenho que admitir que ainda espero ouvir três batidas secas de seu cajado na minha porta (também não desisti da coruja sem senso de direção que está com minha carta de Hogwarts). Se há algum motivo para ler o livro, este se chama Gandalf.

Então temos um mago altivo, corajoso, forte e com uma medida certa de irreverência irritadiça. Mas esse não é o nosso herói. A história, afinal, é sobre hobbits, seres com cerca da metade da nossa altura, de pés com sola resistente (por isso andam descalços), que vestem cores alegres e tem tendência a acumular gordura no abdômen. Preguiçoso, amante de sua vida confortável na sua toca luxuosa e que nunca sai de casa sem um lenço no bolso, o hobbit e protagonista Bilbo Bolseiro não tem nada de heróico. Além de ter horror a “aventuras”.

Há inúmeras razões que fazem a obra de Tolkien especial – todas as 14 línguas criadas por ele, a incrivelmente precisa geografia da Terra-Média e todo o extenso contexto histórico: um gigantesco trabalho realizado durante toda sua vida. Nada disso, no entanto, garante a verossimilhança da história como a habilidade de Tolkien em mostrar indivíduos comuns realizando grandes feitos. Todos nós gostamos de heróis com armaduras brilhantes e magos poderosos – mas somos muito mais como Bilbo. A identificação é imediata. Nas palavras de Tolkien, “nada emociona meu coração, para além de todas as paixões e desgostos do mundo, tanto quanto observar um personagem que se torna nobre”. Apesar de toda a sua relutância, Bilbo sairá em uma aventura com 12 anões para reaver o tesouro roubado por Smaug, o dragão. E sem nenhum lenço no bolso.

Com uma narrativa leve, bem diferente da trilogia do Anel, “O Hobbit” é, para alguns, apenas uma boa leitura para se distrair. Outros, no entanto, ficam com uma sensação de estar olhando para algo misterioso, remoto e belo. Com a impressão de que há algo mais para se descobrir quando se acaba o livro, alguma camada oculta. Logo estes estarão lendo “A Sociedade do Anel”, “As Duas Torres” e o “O Retorno do Rei”, as sequências de “O Hobbit”. E porque não saber mais sobre eras remotas até mesmo para o nosso caro Bilbo, em “O Silmarillion” ou “Contos Inacabados”?

Muitos escritores criam mundos fantásticos, outros conseguem tornar o nosso próprio e bem conhecido mundo em algo mágico: Tolkien faz os dois. Afinal, a Terra-Média fica no nosso próprio mundo, em algum passado remoto. Todos nós a habitamos; só é preciso um convite casual para percebermos.

Resenhado por Luciana Zulpo

295 páginas, Editora WMF, publicado em 2009.
*Título original: “The Hobbit”. Publicado originalmente em 1937.

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Categorias: Luciana Zulpo, Resenhas
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