Não deixe de espiar a nova seção do Potterish!

//Por Sheila Vieira - quinta-feira, 11 de março de 2010 às 17:16

O potteriano que sempre gostou das Colunas do Ish agora também vai receber dicas de outros grandes livros. A nova seção de Resenhas oferece sinopses e análises de livros antigos e novos, para que você continue imerso no mundo literário, mesmo com o fim da série Harry Potter. Nossa proposta é introduzir os diversos gêneros e autores para os pottermaníacos, compartilhando dicas e informações. Logo acima dos textos, você descobre quanto tempo se demora para ler a obra, qual a sua finalidade, se não é recomendada para você e cinco “princípios ativos” (uma espécie de tag). Além disso, o leitor do Ish poderá indicar livros para a equipe de resenhistas.

Para começar, Thiago Terenzi nos convida a saber de onde surgiu a expressão ‘Big Brother’, na obra misteriosa e política de George Orwell: “1984”. Dê uma espiadinha nessa resenha e deixe seu comentário. Boa leitura!

“1984”, de George Orwell

Tempo: para ler pouco a pouco em intervalos durante a semana
Finalidade: para pensar
Restrição: Tem dificuldades com pontos de vista alternativos
Princípios ativos: 1984, Distopia, George Orwell, Big Brother, comunismo

A ditadura do Big Brother, por Orwell

Resenhado por Thiago Terenzi

Num futuro próximo, o Estado é regido por um sistema político totalitário e as liberdades pessoais são restritas. Até que um homem se revela contra o sistema opressor e trava uma batalha na tentativa de se libertar. Este enredo parece familiar?

São muitos os filmes que tratam do assunto: “V de Vingança”, “Equilibrium”, “A Ilha”, entre outros. Livros com enredos semelhantes também existem aos montes. Guardadas algumas pequenas adaptações temáticas, pode-se dizer que essas obras integram a prateleira de um gênero conhecido como Distopia – palavra esta que, segundo a Wikipédia, pode ser compreendida como sendo a representação da antítese da utopia, ou, num bom português, retrata os lados negativos de uma sociedade idealizada. E aqui vamos falar sobre um clássico do gênero: “1984”, de George Orwell – livro este que ganhou inclusive uma versão cinematográfica lançada, claro, no ano de 1984.

O livro nos mostra um mundo em que as pessoas aparentemente vivem em harmonia, mas que, na verdade, são manipuladas pelo Estado, que consegue controlar, inclusive, o pensamento da população. A narrativa tem seu início quando um homem, Winston Smith, começa a perceber que algo parece estar errado – mas o que fazer quando ninguém mais consegue notar a farsa do sistema?

É neste clássico de Geoge Orwell que surge o personagem chamado Grande Irmão, ou, se preferir, Big Brother – sim, o mesmo que inspirou o nome daquele reality show global. O Grande Irmão, quase que onisciente, é aquele que tudo vê. Qualquer semelhança com algum Big Brother ou programa do gênero não é mera coincidência.

Mas o livro vai além inspirar reality shows pelo mundo. É extremamente indicado para quem se interessa por Política, História e também para os que flertam interesse com a Filosofia. George Orwell consegue, com maestria, criar uma trama envolvente e repleta de referências às mais diferentes áreas das ciências humanas.

É evidente, por exemplo, o paralelo que o autor faz entre a sociedade que descreve e o Socialismo Russo. Ambas as sociedades abriram mão da liberdade em prol de uma utopia que, na prática, revelou-se extremamente desumana. E ao criar um universo em que a repressão e o totalitarismo mostram-se ainda mais presentes que na própria Rússia Soviética, Orwell constrói uma crítica ferrenha não só ao comunismo, mas também a todas as formas de governo que restringem a liberdade. Como bom jornalista que era, o autor de 1984 era um crítico ferrenho das restrições à liberdade.

Tão intensas quanto o diálogo com a História, talvez sejam as referências filosóficas presentes no romance. Os leitores mais atentos não teriam dificuldades para encontrar, no livro, referências indiretas à Caverna de Platão ou à obra de Marx e seu conceito de alienação e outros tantos mais. Mas mais do que isso, o livro nos convida a uma reflexão sobre conceitos que, aparentemente, não parecem serem passíveis de questionamento. A questão mais intrigante na obra de Orwell talvez seja: o que é verdade? No livro, o conceito de verdade é extremamente relativizado. Num trecho marcante, um personagem indaga que 2+2=5. E o leitor menos convicto – méritos à impecável capacidade argumentativa do personagem – é realmente capaz de acreditar. A verdade, para George Orwell, é variável – depende dos interesses de quem está no poder.

Mas, acima de tudo – e talvez seja esta a característica responsável pelo sucesso de 1984 –, o livro é indicado para aqueles que gostam de um romance interessante e recheado de mistério e reviravoltas. Apesar de já ser considerado um clássico, sua linguagem é simples e acessível a todos – não se difere muito daquela adotada por J.K Rowling. Seu enredo, como não poderia deixar de ser, é instigante, o que transforma qualquer pausa na leitura em uma tarefa extremamente complicada. É realmente difícil parar de ler.

302 páginas, Editora Nacional, edição comemorativa publicada em 2003.
*Publicado originalmente em 1949.

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Categorias: Resenhas, Thiago Terenzi
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