As casas de Hogwarts

//Por Editor de resenhas - quinta-feira, 24 de abril de 2008 às 10:38

As casas de Hogwarts são postas em seus devidos lugares pela colunista Pâmela Lima. Corvinal, Sonserina, Lufa-lufa e a hiper-badalada Grifinória deixam de ser adjetivos reducionistas para se tornar algo mais como famílias: você pertence a uma delas, mas não é definido por elas, mas por seus atos.
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por Pâmela Lima

O título dessa coluna é uma das primeiras perguntas que um leitor de Harry Potter faz a outro, depois de “Qual é o seu shipper?”. As respostas costumam ser as mesmas: Grifinória ou Sonserina. Muitas poucas vezes encontrei alguém que se diz corvinal e menos vezes ainda alguém da Lufa-Lufa. Talvez porque as duas primeiras são as melhores representadas nos livros, poucas pessoas queiram se encaixar nas últimas. Mas o que infelizmente é pouco posto em discussão é o que torna alguém digno de ser de cada uma das casas pois, se analisarmos bem, nem todo corvinal é racional, nem todo sonserino é ruim, nem todo grifinório é corajoso e nem todo lufo é bonzinho demais. É só analisarmos um a um os personagens pertencentes a cada casa.


CORVINAL

“Ou será a velha e sábia Corvinal
A casa dos que têm a mente sempre alerta,
Onde os homens de grande espírito e saber
Sempre encontrarão companheiros seus iguais.”

Pedra Filosofal, pág. 105

O que se tem na idéia é que corvinais são os nerds de Hogwarts. Pessoas sempre bem informadas, inteligentes, racionais. Diz-se também que as meninas da casa são as mais bonitas (como era Rowena Ravenclaw) e que todos são muito gentis e têm sempre uma palavra agradável para dizer. No primeiro livro, tirando apenas algumas menções, a única pessoa que conhecemos dessa casa já está morta: A fantasma Dama Cinzenta, que caminha entre os alunos no Salão Principal, sempre de cabeça erguida e ar imponente, calada e muito bela.

Em Relíquias da Morte descobrimos que a fantasma é a filha da fundadora Rowena, e que roubou o diadema da mãe para adquirir mais inteligência. Helena, a fantasma, fugiu para as florestas da Albânia com o objeto ela faleceu nas mãos do Barão Sangrento, que era apaixonado por ela. Depois de morta, ela comete o terrível erro de contar ao jovem Tom Riddle onde está o diadema perdido, o que nos leva a perguntar onde está a “mente sempre alerta” dos corvinais em uma hora dessas. Nessa narrativa também podemos deduzir que Rowena Ravenclaw forçava a filha a um relacionamento com um homem que ela não amava. Logo Rowena, que pregava que o espírito sem limites é o maior tesouro do homem, limitou-se a não deixar sua filha escolher seu amor.

Em Prisioneiro de Azkaban mais uma personagem da casa dos sábios é apresentada a nós: A bela apanhadora Cho Chang, primeiro amor de Harry Potter. Nesse livro pouca importância se dá à ela, mas isso muda logo no próximo da série, quando ela namora Cedrico Diggory e desperta ciúmes no personagem principal dos livros. Em Ordem da Fênix, depois que o namorado morre, ela tem um pequeno caso com Harry e nesse pouco tempo deturpa a imagem da sua casa. Cho não demonstra gentileza, fala o tempo todo do ex-namorado como se o atual não lhe importasse e despreza os conhecimentos de Hermione. Quando sua amiga Marieta (Corvinal e dedo-duro) denuncia a Armada de Dumbledore, Cho fica ao lado dela, dando as costas para o resto do grupo. Mente fechada, espírito idem.

Não conseguia enxergar o erro da amiga por puro ciúme. Também em Ordem da Fênix outra menina da casa ganha destaque. Ela é gentil como Cho não era, mente aberta e alerta como Helena não era. Luna Lovegood é adorável, simpática e cheia de graça. É inteligente e, quando bem vestida, fica bonita, de acordo com Harry em Enigma do Príncipe. Dá tanto valor às amizades que pintou o rosto dos seus melhores amigos no teto do quarto. Se não fosse completamente maluca e avoada, seria a melhor representante da casa. Luna não tem nem uma gota de racionalidade e vive no mundo da lua. Acredita em animais fantásticos que não existem e em superstições exageradas. Se pai, Xenofílio, tão amalucado quanto a filha, também era da casa e contradizia a todos dizendo que as Relíquias da Morte eram reais, e não uma lenda – o que acabou sendo verdade no fim.

O que os corvinais têm em comum, então?

A busca pelo conhecimento a qualquer preço, acredito. Pois Helena roubou o diadema para ser mais inteligente, Luna e seu pai lutam por suas crenças pois elas são o real conhecimento para eles e, por mais que a maioria das pessoas não goste dela, Cho nunca foi descrita como burra.

Outros personagens da casa:

Antônio Goldstein, Padma Patil, Murta Que Geme, Filio Flitwick, Rogério Daves, Miguel Corner, Téo Boot, Penélope Clearwater.


GRIFINÓRIA

“Quem sabe sua morada é a Grifinória
Casa onde habitam os corações indômitos.
Ousadia e sangue-frio e nobreza
Destacam os alunos da Grifinória dos demais.”

Pedra Filosofal, pág. 104-105

A casa favorita dos leitores da saga é conhecida por ser a casa dos nobres de coração valente, os corajosos e ousados. Os maiores bruxos, como Alvo Dumbledore, são oriundos de lá. Comecemos por ele então. Alvo sempre foi inteligente e ousado na época da escola. Porém, quando Grindelwald chegou à sua vizinhança e fê-lo cair de amores, sua defesas baixaram e sua nobreza acabou. Agora, era tudo pelo novo amigo e seus ideais sobre dominação dos nascidos trouxas, a luta pelo “bem maior”.

Dumbledore deixou-se corromper, negligenciando a irmã caçula que era doente, esquecendo seus limites. Mas relembrou deles quando a pequena Ariana caiu morta no chão, sem saber quem foi que a matou. Podia ter sido ele, seu irmão –ou seu amado. Independente disso, Grindelwald fugiu, foi lutar sozinho e, anos mais tarde, Dumbledore o derrotou, esquecendo de tudo o que um dia sentira por ele, vingando finalmente a morte de sua irmã.

Harry Potter também entra para a casa da coragem, e faz jus a isso por quase toda a saga. Desde o momento em que enfrenta o trasgo em Pedra Filosofal até quando dá sua vida pelo bem da humanidade em Relíquias da Morte, poucas vezes a nobreza do herói é posta em dúvida. Uma dessas vezes é em Cálice de Fogo, em que ele derrota dragões, sereianos e até o próprio Voldemort, mas encontra demasiada dificuldade para convidar Cho Chang para o baile. Em Ordem da Fênix, abandona toda sua nobreza ao sentir inveja de Rony que, ao contrário dele, não era o grande Eleito mas, mesmo assim, ganhou o título de monitor.

Neville Longbottom nunca foi o maior exemplo de coragem da Grifinória. Foi sempre muito desastrado, medroso e recuado. Enquanto seus colegas tinham medo de múmias e dementadores, Neville tinha medo… do professor de poções!. Além do medo evidente que sempre teve de sua avó. Mesmo assim, quando Voldemort começou a controlar Hogwarts, ele foi o líder da revolução. O grito para que todos ainda defendessem a Armada de Dumbledore, depois que Harry supostamente tinha morrido, veio dele. Neville largou seus medos para enfim mostrar o que o levou a ser grifinório. Porém, nem todos os que não demonstram coragem são corajosos enrustidos, como Longbottom.

Pedro Pettigrew foi da Grifinória, foi um Maroto e, algum tempo depois, foi Comensal da Morte, entregou os Potter a Voldemort e fingiu-se ser rato por doze anos. Em nenhum momento, pelo menos depois que seguiu o Lord das Trevas, demonstrou coragem. Em uma conversa nada amigável com Sirius no terceiro livro, Pedro declara que só denunciou James e Lílian pois Voldemort ameaçou-o de morte. Black afirma que ele deveria ter “morrido por seus amigos”, como seus amigos teriam feito por ele. Mesmo depois de ter sido descoberto e do sermão que levou de seus velhos amigos, ele retorna para Voldemort, que ele ajuda a ressurgir em Cálice de Fogo e que lhe dá uma mão de prata no lugar da que ele decepou. Essa mesma mão prateada o mata em Relíquias da Morte, quando Pedro se lembra da dívida que tinha com Harry e decide não matar o Eleito.

O que os grifinórios têm em comum, então?

Eles têm limites e princípios. Dumbledore amava Grindelwald, mas não pode continuar com isso depois que o jovem causou a morte de sua irmã e a separação total de sua família. Pedro seguia o Lorde das Trevas, mas sabia que devia sua vida a Harry. E Neville pode ser medroso, até que sua vida fosse exposta diretamente ao perigo.

Outros personagens da casa:

Todos os Weasleys, Angelina Johnson, Alícia Spinnet, Lilá Brow, Hermione Granger, Sirius Black, Remo Lupin, Nick-Quase-Sem-Cabeça, Hagrid, Tiago Potter, Lílian Evans.


LUFA-LUFA

“Quem sabe é na Lufa-Lufa que você vai morar
Onde seus moradores são justos e leais
Pacientes, sinceros, sem medo da dor.”

Pedra Filosofal, pág. 105

Vejam só: até o Chapéu Seletor fala pouco da casa da bondade! Lufos são considerados, pela maioria, os bobos de Hogwarts. Os santinhos, bonzinhos demais. Somos apresentados ao Frei Gorducho em Pedra Filosofal, e ele é descrito como alguém que aparenta ser guloso, vive rindo e é extremamente diferente dos outros fantasmas, que vivem calados com ar de superioridade. O frei inclusive diz aos alunos que gostaria que todos fossem para a sua casa, mostrando evidente orgulho de ser da Lufa-Lufa. Nesse mesmo livro, conhecemos Ana Abbott e Justino Finch-Fletchley, que são apenas apresentados na seleção e ao longo da história são bastante citados; ele por ser uma das vítimas do basilisco no segundo ano e ela por ter fortes tendências ao nervosismo (passava mal durante as aulas na época dos NOMs e declarava que Sirius Black podia se transformar em arbusto no terceiro livro).

O primeiro lufo que tem sua história desenvolvida é Cedrico Diggory, escolhido pelo cálice de fogo no quarto livro. Sim: a casa só é explorada no quarto livro. Ele é descrito como um garoto de porte atlético, cheio de vida e possivelmente inteligente, pois foi dado como apto para participar do Torneio Tribruxo. Ele sempre foi contra aos bottons “Potter Fede/Apóie Cedrico” que seus colegas (que também eram da “casa dos justos”) usavam, ajudou Harry na segunda prova e, quando este se machucou no labirinto, salvou a vida dele.

Harry ofereceu a Taça Tribruxo a ele, que não aceitou, mesmo que há anos sua casa não tivesse glória tão grande Morreu injustamente nas mãos de Pedro Pettigrew. Dois livros depois, conhecemos mais dois participantes da casa: Zacarias Smith e Ninfadora Tonks. Ele era da Armada de Dumbledore, era debochado e difícil de lidar. Não acreditava nas reais virtudes de Harry e entrou para a Armada só para tirar a limpo suas habilidades. Como muitos outros, não atendia ao chamado dos galeões de comunicação que Hermione havia feito e demonstrava grande desprezo por todos os grifinórios, deixando isso claro quando narrou os jogos de quadribol em Enigma do Príncipe.

Não era justo ou bondoso, como supostamente seriam os lufos e gostava de fazer piadas de mau gosto. Já Tonks era, sim, bondosa, leal à Ordem da Fênix e justiceira. Porém, tinha algo que nunca foi dado como característica da Lufa-Lufa: tinha uma personalidade demasiadamente forte, tinha atitude, tanto no modo de se vestir (com seu cabelo rosa-chiclete e camiseta das Esquisitonas), de agir e de falar. Não gostava de ser chamada pelo primeiro nome, ficando furiosíssima quando apenas começavam a falar Ninfadora. Tonks mostra também muita perseverança, desejando casar com o lobisomem Remo Lupin e lutando sempre por esse amor. Lembrando que ela era muito jovem (aproximadamente 27 anos no último livro) e que assim mesmo passou no curso de formação de Aurores, que reprova muitas pessoas. Por isso, deve ser inteligente também. Morreu em batalha e deixou um filho, Teddy Lupin, que é metamorfomago como ela.

O que os lufos têm em comum, então?

O fato de não aceitarem fácil o que lhes impõem. Ninfadora teve força de sobra para conquistar Lupin e virar sua esposa depois. Justino, mesmo não acreditando em Harry, quis também aprender a se defender quando a professora Umbridge não o ensinou. Cedrico, apesar de saber que quando saísse do labirinto seria excomungado por seus colegas, quis dar o prêmio do Torneio Tribruxo a Harry.

Outros personagens da casa:

Cadwallader, Ernesto MacMillan, Pomona Sprout, Susana Bones.


SONSERINA

“Ou quem sabe a Sonserina será sua casa
E ali fará seus verdadeiros amigos;
Homens de astúcia que usam quaisquer meios
Para atingir os fins que antes colimaram”

Pedra Filosofal, pág. 105

Tive dificuldade em escolher poucos sonserinos para serem analisados aqui, pois cada um tem peculiaridades ótimas para ser dissertadas. Essa casa é popularmente vista como a casa dos “maus elementos”. Afinal, os grandes vilões da série vieram de lá: Lorde Voldemort, a família Malfoy, a família Black – menos Sirius – os Snapes, etc. Tom Servolo Riddle, o futuro Lorde das Trevas, foi diretamente escolhido para a casa e, se pensarmos bem, não porque ele é mau. Convenhamos, Voldemort é muito persistente, e “usa quaisquer meios para atingir os fins que antes colimou”. O que ele mais deseja é a vida eterna e, para concretizar esse sonho ele comete a mais terrível das atrocidades, que é matar alguém para que essa morte produza uma Horcrux, que supostamente lhe garantiria uma vida eterna.

O que fez Tom virar alguém realmente perverso foi essa fragmentação da alma em sete partes (os livros afirmavam que uma divisão apenas já seria muito). No fim da sua vida, tinha tão pouca alma que não pode ao menos sentir remorso. Outro caso muitíssimo interessante de sonserino é Severo Snape. O professor sempre foi mesquinho com Harry, dava-lhe detenção sempre que podia –e até quando Potter não merecia. Aparentemente era fiel aos Comensais mas, descobre-se no fim do livro, sua lealdade não era nem de Voldemort nem de Dumbledore: Era leal ao amor. O amor que sentia por Lílian Evans, aquele por quem era apaixonado na adolescência, mas que o rejeitou quando ele virou Comensal. Pelo amor de Lílian ele foi capaz de entregar a vida de Tiago e Harry ao seu mestre e, depois que ele a matou também, passou a vida toda cuidando do pequeno sobrevivente, garantindo que ele pudesse chegar à batalha final, tudo para que Lílian pudesse, de algum modo, perdoá-lo.

Os Malfoys também são sonserinos não tão ruins quanto parecem. Apesar de se dizerem fiéis até o fim ao Lorde das Trevas, na última batalha, quando seu mestre precisava da ajuda de todos os servos, Lúcio e Narcisa fizeram de tudo para manter Draco em segurança. A mulher, inclusive, salvou a vida de Harry, em troca da informação sobre o paradeiro de Draco. Ficamos sabendo, então, que a prioridade dos Malfoys não é seguir fervorosamente Voldemort e exterminar os sangue-ruins, mas sim manter sua família a salvo. E a pergunta fica: Ninguém da Sonserina é bom? Todos seguem Voldemort? Não. Horácio Slughorn, o Slug, foi da casa da ambição e nunca esteve ao lado dos Comensais. Pelo contrário, sempre foi muito bom e influenciava seus alunos de todas as casas a serem boas pessoas, personalidades de sucesso. Claro, sempre em troca de alguns favores.

O que os sonserinos têm em comum, então?

A óbvia perseverança, a força de vontade. Nenhum deles se dá por vencido, todos almejam ter tudo que merecem –e sempre querem mais. Voldemort quis a vida eterna, os Malfoys queriam seu filho vivo, Snape queria o amor de Lílian e Slug quer boa comida e bebida. Quem pode culpá-los?

Outros personagens da casa:

Belatriz Lestrange, Pansy Parkinson, Rodolfo Lestrange, Vicente Crabbe, Gregório Goyle, Teodoro Nott.


E então? De que casa você é?

Agora, sem estereótipos, fica até difícil se encaixar em uma casa. Ou não, dependendo da pessoa. Eu sou corvinal desde pequena – ou desde que comecei a ler Harry Potter.

Pâmela Lima faz parte do corpo de colunistas do Potterish.

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